Alexandre de Moraes manda prender ex-assessor de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu nessa terça (17) mandar prender Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro e acusado de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe. A justificativa? Câmara teria burlado uma medida cautelar que o impedia de usar redes sociais — inclusive por meio de intermediários, como advogados.

O próprio advogado dele, Eduardo Kuntz, contou ao Supremo que Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro) o procurou pelo Instagram, e os dois chegaram a trocar mensagens. O perfil usado por Cid seria o tal do “@gabrielar702”, nome que remete à esposa dele, Gabriela Cid.

Moraes não gostou nada disso. Segundo ele, o contato teria tido como objetivo acessar dados sigilosos da delação premiada de Cid. Além das conversas via rede social, também houve encontros presenciais na Sociedade Hípica de Brasília — isso, inclusive, quando Câmara ainda tava preso na primeira detenção.

Na decisão, o ministro foi duro. Afirmou que o advogado teria ultrapassado os limites legais do exercício da profissão e chamou de “gravíssima” qualquer tentativa de atrapalhar as investigações sobre o suposto plano golpista.

Como resultado, além da prisão de Câmara, Moraes mandou abrir um novo inquérito pra investigar tanto ele quanto seu advogado..

A PF já cumpriu o mandado.

Tentativa de anulação da delação

A história esquentou mesmo depois que a defesa de Câmara pediu a anulação da delação de Mauro Cid. Kuntz argumenta que Cid foi pressionado durante os depoimentos, que, segundo ele, não teriam sido dados de forma voluntária.

Tudo começou com a tal conversa pelo Instagram. Cid, usando um perfil meio genérico, mandou mensagem ao advogado no fim de janeiro de 2023. Kuntz, que já conhecia o militar, pediu uma foto pra confirmar que era ele mesmo. Depois disso, a conversa desenrolou.

O advogado perguntou se ele tinha sido forçado a falar certas coisas, se os depoimentos tinham sido gravados, etc. Cid, então, teria desabafado, dizendo que os investigadores da PF tentaram “colocar palavras em sua boca”.

Em um dos trechos relatados, o militar disse:
— Várias vezes eles queriam colocar palavras na minha boca. Foram três dias seguidos de depoimento. Um deles foi aquele das joias, com cinco anexos. Queriam sempre empurrar pra narrativa do golpe, e eu pedia pra trocar. Eu fui bem claro. O PR (Bolsonaro) não ia dar golpe nenhum. Tive cuidado de não usar essa palavra.

Pra Kuntz, essas falas mostram que a delação não foi espontânea e, por isso, deveria ser anulada por Moraes, que é o relator do caso no STF.

Perfil suspeito

Na semana passada, durante um interrogatório conduzido pelo próprio Moraes, a defesa de Bolsonaro questionou Mauro Cid sobre os perfis @gabrielar702 e “Gabriela R” no Instagram — ambos semelhantes ao nome da esposa dele.

Cid disse que não sabia se o perfil era da esposa e negou ter usado redes sociais pra falar com outros investigados no processo.

Os advogados de Bolsonaro levantaram suspeitas de que o ex-ajudante de ordens teria usado o perfil pra vazar informações da sua delação premiada, o que complicaria ainda mais a situação de todo mundo envolvido.

No meio disso tudo, a crise política vai ganhando mais um capítulo — e o cerco parece apertar tanto pra ex-assessores quanto pra figuras centrais do antigo governo.



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