Na última quinta-feira, dia 17, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resolveu se manifestar publicamente em apoio ao seu velho aliado Jair Bolsonaro. A declaração foi feita por meio de uma carta aberta divulgada na rede Truth Social, plataforma que Trump costuma usar pra falar direto com sua base. O conteúdo causou burburinho, tanto entre os apoiadores do ex-capitão quanto entre seus críticos ferrenhos.
Trump, sempre direto e polêmico, não economizou nas palavras. Ele disse estar acompanhando o que vem acontecendo com Bolsonaro no Brasil e afirmou ter visto “o tratamento terrível” que ele estaria sofrendo por parte do que chamou de “um sistema injusto”. E foi além: “Esse processo tem que acabar imediatamente!”, escreveu o republicano, inflamando ainda mais a discussão política nas redes.
Tudo isso veio à tona depois de uma operação recente da Polícia Federal, que resultou em medidas duras contra o ex-presidente brasileiro. Por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica — decisão que virou manchete no mundo inteiro. A medida também incluiu restrições como o bloqueio de suas redes sociais e a proibição de contato com algumas pessoas, inclusive seu filho Eduardo Bolsonaro, que atualmente está nos Estados Unidos.
Em entrevista à Band News, Bolsonaro não escondeu o incômodo. Classificou o uso da tornozeleira como “humilhante” e questionou o motivo da punição. “Tenho vergonha de usar isso. Qual o risco eu ofereço pra sociedade? Tô com 70 anos, não tenho medo de ser preso, mas me prender seria uma covardia. Não fiz nada de errado”, desabafou.
A fala de Bolsonaro dividiu opiniões, como de costume. Enquanto uns dizem que ele está pagando pelo que fez (ou deixou de fazer), outros enxergam tudo como perseguição política — especialmente seus seguidores mais fiéis, que tratam Trump como uma espécie de “irmão de armas” do brasileiro.
Vale lembrar que não é a primeira vez que Trump sai em defesa de Bolsonaro. Durante as eleições de 2022, ele já havia declarado apoio ao então presidente, chamando-o de “líder forte” e acusando o processo eleitoral brasileiro de ter “problemas”. Essa aliança entre os dois, mesmo cada um estando em lados opostos do continente, continua firme — e agora se intensifica no meio da tempestade jurídica que cerca Bolsonaro.
Do outro lado da história, o presidente Lula também resolveu se posicionar. Em publicação nas redes sociais, ele não mencionou Trump diretamente, mas mandou um recado claro: “Os assuntos do Brasil cabem aos brasileiros e à nossa Justiça.” A resposta, embora diplomática, não passou despercebida.
Todo esse cenário cria um ambiente tenso, tanto na política interna quanto nas relações internacionais. A interferência (ainda que simbólica) de uma figura como Trump num processo em andamento na Justiça brasileira levanta discussões sobre soberania e respeito às instituições. Afinal, até que ponto uma crítica externa pode ou deve influenciar os rumos de um país?
Enquanto isso, Bolsonaro segue tentando se defender e manter sua base mobilizada, mesmo com as restrições impostas. Os próximos capítulos dessa novela política prometem ser ainda mais agitados — e, como tem sido comum nos últimos anos, tudo se resolve ou se complica nas redes sociais.
Confira:
