A amizade entre Jude Paulla e Preta Gil era daquelas que atravessavam o tempo e os perrengues da vida. E foi justamente essa conexão que fez Jude voltar às redes sociais nesses dias tão difíceis, depois da notícia devastadora da morte da cantora, pra dividir uma lembrança singela — mas cheia de significado — dos últimos momentos de Preta.
Preta Gil faleceu no domingo, 20 de julho, aos 50 anos, nos Estados Unidos, depois de uma longa e dura luta contra um câncer. A notícia abalou o país inteiro, principalmente os fãs que acompanharam de perto sua trajetória, sua força e, claro, sua voz marcante. Mas pra quem convivia com ela, como Jude, a perda bate diferente: é o tipo de dor que não cabe em palavras, só em memórias.
Entre tantas homenagens que pipocaram nas redes, uma em especial tocou Jude: a publicada pelo Flamengo, o time do coração de Preta. E não foi só porque era um gesto bonito vindo de um clube gigante. Foi porque aquilo ativou nela uma lembrança recente, daquelas que parecem simples mas que ficam marcadas na alma. Segundo Jude, uma das alegrias de Preta nas últimas semanas era, veja só, assistir aos jogos do Mengão, especialmente durante o Mundial de Clubes. Sim, a artista que o Brasil inteiro conhecia pela música também era torcedora fervorosa. Bem no finzinho da vida, virou futeboleira de carteirinha.
“Ela ainda falava: só o que me faltava, ficar véia e futeboleira”, contou Jude com um certo carinho divertido, do tipo que só quem é íntimo consegue transmitir. E é engraçado como as pessoas, mesmo nas situações mais difíceis, arrumam um jeito de se apegar a algo que traga conforto. No caso de Preta, foram os jogos. A emoção do gol, o grito da torcida pela TV, os lances quase cardíacos — tudo isso virava um tipo de alívio, uma distração gostosa em meio ao tratamento pesado.

Jude também lembrou dos momentos em que as duas ficaram juntas vendo as partidas. A cena que ela descreve é de puro afeto: Preta querendo saber de quem tinha sido o gol, vibrando mesmo sem entender todas as regras do jogo, se jogando naquela paixão como quem agarra o que ainda dá alegria em dias difíceis. E vamos combinar, tem algo mais brasileiro do que isso? Futebol é colo, é memória afetiva, é vida pulsando. E no caso de Preta, foi também refúgio.
A despedida da cantora, que fez história na música, quebrou corações, mas é bonito perceber como, mesmo na reta final, ela encontrou alegria em coisas simples. E é aí que a gente entende o tamanho da humanidade dela. Não era só a artista. Era a mulher, a mãe, a amiga, a flamenguista de última hora.
A homenagem do Flamengo foi muito mais que uma simples postagem institucional. Foi reconhecimento, carinho e até uma ponta de surpresa pra quem não sabia desse lado boleiro da Preta. Um lembrete de que por trás das luzes do palco, existia alguém comum, apaixonada por música, por futebol, por gente.
E se tem uma coisa que essa história mostra, é que são essas pequenas paixões que mantêm a alma acesa. Mesmo quando o corpo tá cansado. Mesmo quando a luta parece estar no fim. Preta viveu com intensidade até os últimos dias — e o futebol, por mais inusitado que pareça, foi uma das chamas que ela escolheu manter acesa.
O Flamengo lamenta a perda da rubro-negra Preta Gil, neste domingo (20), aos 50 anos.
— Flamengo (@Flamengo) July 20, 2025
Sua alegria e sua luta por um mundo mais justo jamais serão esquecidas.
Nos solidarizamos com seus familiares, amigos e fãs. 🖤 pic.twitter.com/LGXGOACvYi