Após atacar Alexandre de Moraes, Eduardo Bolsonaro prova do mesmo veneno; entenda

Em mais um episódio da já conhecida guerra de indiretas nas redes sociais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a virar assunto. O motivo? Depois de ironizar um erro gramatical do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo acabou escorregando feio no português também — e, claro, a internet não perdoou.

Tudo começou quando o parlamentar comentou, no último domingo (27), sobre o acordo comercial fechado entre os Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, e a União Europeia. Eduardo, que está em solo norte-americano, publicou no X (antigo Twitter): “Na União Européia (sic) ninguém fingiu nos termos ditos por Trump. No Brasil, até hoje, certas autoridades propositalmente dizem não entender as premissas originais das sanções”.

O detalhe que chamou atenção? O uso da palavra “Européia” com acento agudo no “e”, forma que caiu em desuso desde o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 2009. O correto seria “europeia”, sem acento. E olha que ele estava corrigindo o português dos outros…

A publicação rapidamente viralizou. Não só pela crítica embutida às instituições brasileiras, mas também pela ironia de um erro gramatical vindo logo após zombarias feitas ao ministro Alexandre de Moraes.

Na quinta-feira anterior (24), Eduardo havia feito piada com um erro de Moraes, que trocou a conjunção “mas” (adversativa) pela palavra “mais” (de adição) numa decisão do STF. “Estou proibido de postar falas de meu pai, ‘MAIS’ posso postar as decisões do Alexandre de Moraes”, escreveu ele, alfinetando com gosto.

É aquele famoso ditado: quem com ferro fere… você sabe como termina.

A tensão entre os Bolsonaro e Alexandre de Moraes não é de hoje. O ministro decidiu não prender o ex-presidente Jair Bolsonaro após ele supostamente descumprir uma medida cautelar que o impedia de usar redes sociais, ainda que por meio de terceiros. No caso, a justificativa era de que Bolsonaro havia se manifestado por meio da imprensa, o que gerou receio entre seus aliados de que uma possível prisão estivesse à espreita.

Apesar de não decretar a prisão, Moraes manteve as restrições: tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, além do veto ao uso das redes — mesmo por outras pessoas falando por ele.

Eduardo, que anda bem ativo fora do Brasil, tem usado as redes para reforçar a narrativa de que seu pai é perseguido pelas instituições brasileiras. Ele também atribuiu às sanções impostas por Trump aos produtos brasileiros uma espécie de “recado” político, como se fosse uma reação à situação vivida por Bolsonaro no país.

Vale lembrar que esse tipo de erro, embora pequeno, não passa despercebido quando vindo de figuras públicas que vivem criticando os outros. A repercussão nas redes foi imediata, com internautas lembrando que o telhado de vidro não perdoa quem atira pedra.

Curioso como, em tempos de polarização, até a gramática vira munição política.

Seja por acento mal colocado ou conjunção trocada, o fato é que a troca de farpas entre Eduardo e Moraes escancara não só os embates jurídicos e políticos, mas também a guerra de narrativas. E nessa batalha, até a ortografia virou campo minado.



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