Lula rompe o silêncio e entrega problema com aeronave da FAB no Pará

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a passar por um susto envolvendo avião da Força Aérea Brasileira (FAB). O episódio mais recente aconteceu nesta quinta-feira (2), durante sua viagem ao Pará, quando se preparava para ir até o arquipélago do Marajó. Em entrevista concedida à TV Liberal, afiliada da Globo em Belém, Lula contou que o motor da aeronave apresentou falha ainda em solo, o que impediu a decolagem.

Segundo o próprio presidente, o clima dentro do avião ficou tenso. “Eu fui pegar o avião para Ilha do Marajó e teve um problema no motor, um caça da FAB. Só tive que agradecer a Deus, porque imagina se o problema acontece quando já estivesse no ar? A gente teve que descer rápido, com medo até de pegar fogo”, relatou.

Diante do imprevisto, a comitiva presidencial precisou mudar de aeronave. Eles seguiram viagem em um C-97 Brasília, modelo bem menor e usado normalmente em voos regionais. Apesar do atraso e da tensão, Lula manteve a agenda: em Belém, visitou a tradicional Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, local de grande devoção católica e palco do Círio, uma das maiores festas religiosas do país.

Esse não foi, porém, o primeiro contratempo aéreo enfrentado pelo petista em pouco tempo. Em outubro de 2024, durante viagem oficial ao México, o avião presidencial VC-1 – conhecido como “AeroLula” – também apresentou falha. O problema aconteceu logo após a decolagem do aeroporto Felipe Ángeles, próximo da Cidade do México.

Naquela ocasião, a situação foi ainda mais delicada. A FAB informou que a questão técnica foi resolvida ainda em voo, mas a aeronave precisou permanecer quase cinco horas sobrevoando a região, realizando cerca de 50 voltas para consumir combustível antes de pousar com segurança. Foi um episódio que chamou atenção da imprensa internacional, já que, por alguns minutos, havia o temor real de um pouso de emergência.

Lula e sua equipe acabaram retornando ao Brasil em um avião reserva, enquanto o VC-1 passou por revisão antes de voltar a ser utilizado. Na época, o presidente chegou a afirmar que o governo precisava comprar uma nova aeronave para a Presidência, mas, até agora, a promessa não saiu do papel.

Vale lembrar que a frota da FAB responsável pelo transporte de autoridades já é alvo de críticas há alguns anos. Os aviões são relativamente antigos e demandam manutenção constante. Especialistas em aviação defendem que a Presidência da República, assim como outros países fazem, deveria contar com aeronaves mais modernas e seguras, especialmente considerando a agenda internacional de Lula, que nos últimos meses incluiu encontros com líderes como Emmanuel Macron, Joe Biden e o presidente chinês Xi Jinping.

Esses imprevistos também reforçam um debate mais amplo sobre a infraestrutura aérea do Brasil. Enquanto o presidente passa por aperto em aeronaves oficiais, passageiros comuns enfrentam atrasos frequentes em companhias comerciais, passagens cada vez mais caras e aeroportos lotados. A coincidência gera comparação: se até o chefe do Executivo corre riscos em voos, imagina o cidadão comum.

Apesar do contratempo no Pará, Lula seguiu sorridente ao falar com jornalistas e fez questão de minimizar o episódio, dizendo que “faz parte da vida”. Mesmo assim, o susto reacendeu discussões nos bastidores de Brasília. Integrantes da base governista defendem que a compra de um novo avião precisa ser tratada como prioridade, enquanto opositores aproveitam para criticar, afirmando que o país enfrenta problemas mais urgentes do que renovar a frota presidencial.

O certo é que os últimos meses mostraram que voar com o presidente não tem sido exatamente tranquilo. Entre sustos no México e falha de motor no Pará, os bastidores da política brasileira ganharam mais um ingrediente para os debates de fim de ano.



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