Nos últimos meses, o ex-presidente Jair Bolsonaro vem enfrentando um problema de saúde que tem chamado a atenção não apenas dos médicos, mas também dos seus aliados e até mesmo de quem acompanha o noticiário político. Trata-se das crises de soluços recorrentes que ele tem apresentado. Pode parecer algo banal, comum em qualquer pessoa, mas no caso dele a situação se tornou um pouco mais delicada. Segundo relatos médicos, os episódios acabam se agravando em situações de maior estresse ou quando ele fala por longos períodos, o que inevitavelmente acaba acontecendo, já que Bolsonaro nunca foi exatamente um homem de poucas palavras.
O médico Cláudio Birolini, que acompanha o ex-presidente desde a cirurgia abdominal realizada em abril deste ano, explicou em entrevista ao jornal O Globo que esses soluços podem vir acompanhados de reflexos de vômito. De acordo com ele, o vômito ocorre de maneira reflexa, quase como uma reação do corpo para interromper as crises, que chegam a ser bem incômodas. Birolini contou que o tratamento tem sido feito com medicamentos, tanto para controlar como para tentar evitar que os episódios se repitam. O problema, porém, é que ainda não há uma causa definida, o que deixa a situação envolta em certa incerteza.
Quem esteve com Bolsonaro nos últimos dias relatou que ele parecia debilitado, com a saúde mais frágil do que o normal. Aliados próximos disseram que, em determinados momentos desta semana, o ex-presidente chegou a se isolar, evitando conversas mais longas justamente para não forçar ainda mais as crises de soluço. Para uma figura pública que sempre se apresentou como alguém cheio de energia, principalmente em discursos inflamados, essa nova fase soa estranha até para quem está acostumado a conviver com ele.
Vale lembrar que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde agosto, em um condomínio no Jardim Botânico, em Brasília. A situação já é por si só desgastante: restrito em casa, com visitas limitadas, longe dos palanques e da agitação que sempre fez parte da sua vida política. Agora, com esse problema de saúde, a sensação é de que sua rotina ficou ainda mais limitada.
Entre apoiadores, circulam comentários sobre como esses soluços podem afetar não só o bem-estar físico, mas também sua imagem política. Alguns lembram, por exemplo, que em 2021 ele também enfrentou crises semelhantes, chegando a ser internado em São Paulo. Na época, médicos relacionaram o problema às sequelas das cirurgias abdominais que ele já havia realizado, consequência direta da facada sofrida em 2018 durante a campanha eleitoral em Juiz de Fora. O fato é que, desde aquele atentado, Bolsonaro passou por várias internações e procedimentos médicos, o que transformou sua saúde em um assunto recorrente.
É curioso observar como episódios aparentemente pequenos podem ganhar repercussão quando envolvem uma figura pública. Em tempos de redes sociais, não faltam piadas, memes e até comentários maldosos sobre as crises de soluço do ex-presidente. Mas, ao mesmo tempo, existe uma preocupação genuína entre os que lhe são próximos. Um aliado chegou a dizer, de forma reservada, que vê Bolsonaro “mais cansado do que nunca”.
Enquanto isso, o tratamento segue em busca de uma resposta mais definitiva. O médico Birolini insistiu que, até o momento, não foi identificada uma causa clara para as crises, o que torna mais difícil encontrar uma solução. Apesar disso, os medicamentos têm ajudado a controlar, ainda que parcialmente, os episódios mais fortes.
No cenário político, a saúde de Bolsonaro sempre será um tema que desperta interesse, afinal, sua figura ainda divide opiniões no país. Mas, neste momento, a preocupação parece estar menos na arena política e mais no campo humano: como lidar com algo que, embora pareça simples, vem afetando diretamente a qualidade de vida de um ex-presidente que, mesmo em silêncio forçado, continua sendo um personagem central no noticiário brasileiro.