Ministro do STF detona e faz acusação grave sobre Moraes

Nesta quinta-feira (11), o clima político em Brasília voltou a esquentar — e não foi pouco. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular a deliberação da Câmara dos Deputados e determinar a cassação imediata do mandato de Carla Zambelli (PL-SP) desencadeou uma reação explosiva no PL. O líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi direto ao ponto e usou palavras duríssimas para criticar o magistrado, chamando-o de “ditador psicopata que manda nos Três Poderes”.

A fala, que rapidamente circulou pelas redes sociais, reflete o clima de tensão que já vinha crescendo nos últimos meses entre bolsonaristas e o STF. E, com essa nova decisão, o atrito ganhou mais combustível. Sóstenes não costuma usar meias-palavras, mas desta vez o tom surpreendeu até aliados, que viram na declaração um recado político calculado no momento em que o PL tenta reorganizar sua estratégia para 2026.

O episódio começou após a votação ocorrida na madrugada de quarta para quinta, quando o plenário da Câmara rejeitou a cassação de Zambelli por não alcançar os 257 votos exigidos. O resultado deixou a base governista irritada, mas foi comemorado pelos aliados da deputada. Porém, a alegria durou pouco. Moraes, ao analisar o processo, considerou a decisão parlamentar incompatível com a Constituição e afirmou que houve violação aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade. Em seu despacho, classificou o ato dos deputados como “nulo de pleno direito” e apontou desvio de finalidade — uma expressão que, no mundo jurídico, pesa como chumbo.

E aí veio o estouro. Ao comentar o caso, Sóstenes disse que o país estava assistindo a um “abuso absoluto de poder”. Segundo ele, quando um ministro do STF anula uma decisão tomada por deputados eleitos, o que deveria ser um sistema equilibrado se transforma em algo próximo a autoritarismo.

“Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder. O Brasil viu um ato de usurpação institucional: um homem passando por cima do Parlamento e da vontade do povo. Isso fere a democracia no seu coração. Se o sistema não gosta do eleito, ele tenta destruí-lo no tapetão”, afirmou, ecoando a visão predominante dentro do PL neste momento.

Esse tipo de embate não é exatamente novidade. Em 2024, vários episódios envolvendo o STF e figuras do bolsonarismo já haviam tensionado o ambiente político. E agora, com eleições municipais recém-encerradas e partidos já projetando 2026, cada decisão do Supremo vira munição retórica.

Um detalhe curioso é que, nos bastidores, alguns parlamentares admitem que a votação da madrugada foi marcada por ausências estratégicas, negociações correndo nos corredores e muita pressão de ambos os lados. Ou seja, o clima já estava carregado antes mesmo do despacho de Moraes. A anulação apenas acendeu o fósforo num ambiente cheio de gasolina.

Para além da disputa institucional, o episódio reacende o debate eterno sobre os limites entre os Poderes. Até onde o STF pode interferir em decisões internas da Câmara? Até onde a Câmara pode usar sua “soberania” para blindar aliados? O público comum, que já anda cansado desse vai-e-vem, vê tudo isso como uma espécie de série política sem fim — cada episódio mais caótico que o anterior.

No fim das contas, o fato é que Carla Zambelli agora está oficialmente cassada por ordem judicial, mesmo depois de escapar no plenário. E o PL, que já vinha inflamado depois de novas decisões envolvendo Jair Bolsonaro, agora encontrou mais um motivo para entrar em modo de guerra contra o Supremo.

Se haverá recuo ou escalada, ninguém arrisca um palpite. Mas, pelo tom do líder do PL, parece que essa história ainda vai render muito barulho — tanto em Brasília quanto nas redes, onde cada lado disputa para ver quem grita mais alto.



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