Oito anos depois de ter feito sua última novela — parece até estranho falar isso, considerando o tamanho da carreira dela — Regina Duarte voltou a ganhar os holofotes nesta semana. A atriz, que foi homenageada na Calçada da Fama e não segurou a emoção, deixou claro que, se dependesse dela, retornaria à Globo sem pensar duas vezes. “Sim. Aceitaria. Se a Globo me chamar, eu venho”, disse, com aquele sorriso meio tímido que o público conhece desde os tempos de Selva de Pedra. E foi bonito ver como ela parecia realmente em casa ali, circulando pelos Estúdios Globo como quem reencontra um lugar que nunca deixou totalmente.
Regina comentou que, apesar dos anos longe das novelas, o carinho que recebe dos profissionais da emissora continua enorme. Sua última novela foi Tempo de Amar, lá em 2017 (sim, já faz tudo isso!), e desde então ela tem levado uma vida mais tranquila, mais família, como ela mesma define. A atriz falou sobre ver os netos crescendo, sobre o prazer quase terapêutico que encontra nas artes plásticas e sobre como ainda sente que tem muita coisa guardada, esperando a hora certa pra sair. “Gosto muito da vida que levo vendo meus netos crescerem. As artes plásticas me fascinam (…) e acredito que ainda tenho muitas coisas pra fazer”, comentou.
Quando perguntaram diretamente se ela toparia voltar à Globo, Regina brincou — e é aquele humor espontâneo dela que muita gente sente falta na televisão: “Será? Vamos aguardar. Voltaria sim. Agora, do jeito que estou, vai ser sempre papel de vovó”, riu, fazendo graça com a própria fase da vida. Aliás, papéis de avó têm sido bastante valorizados nos últimos anos, ainda mais com novelas apostando em histórias familiares e personagens mais humanos. Não seria difícil imaginar Regina numa daquelas tramas das nove que misturam política, segredos de família e aquela pitada de drama cotidiano que o brasileiro adora comentar no X (antigo Twitter).
Regina também aproveitou o momento para falar, sem rodeios, sobre as críticas e ataques que recebe por conta de seu posicionamento político, especialmente o apoio declarado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela disse que tenta não se prender a comentários negativos — algo quase impossível no ambiente online, onde qualquer frase vira assunto do dia. “Eu me sinto muito amada. Se alguma vez ouvi algo diferente disso, fico triste, claro, mas esqueço em cinco minutos”, afirmou. Quem acompanha celebridades na internet sabe como as coisas escalam rápido, ainda mais em tempos de polarização, onde até curtida vira motivo de polêmica.
Apesar das opiniões divididas do público, poucos discordam de que Regina Duarte é um dos nomes mais fortes da teledramaturgia nacional. São mais de cinco décadas de carreira marcadas por personagens que entraram definitivamente no imaginário brasileiro. Dá pra citar de cabeça: Roque Santeiro, Vale Tudo, Por Amor, Páginas da Vida… sem falar na inesquecível Viúva Porcina, que até hoje aparece em memes e discussões sobre a “era de ouro” da televisão. É um catálogo que não se repete facilmente.
A homenagem na Calçada da Fama veio, então, como uma espécie de “abraço coletivo”, lembrando ao público o tamanho da contribuição dela para a TV. E talvez tenha reacendido nela uma vontade antiga de voltar a atuar, mesmo que seja em um ritmo mais leve. Em um ano em que tantas figuras históricas da teledramaturgia reapareceram em participações especiais e até em papéis fixos — como aconteceu recentemente com atores veteranos no remake de Renascer —, não seria surpresa ver Regina reaparecendo em uma participação especial, uma vilã elegante ou aquela avó sábia que resolve metade dos conflitos com um olhar.