Depois de passar por mais um exame médico neste domingo (14), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a ter seu nome ligado a um novo problema de saúde. Desta vez, após um ultrassom realizado dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, a equipe médica recomendou que ele passe por uma nova cirurgia. Segundo os médicos, o procedimento seria necessário para tratar duas hérnias inguinais identificadas durante o exame.
A informação foi confirmada pelo advogado João Henrique Nascimento de Freitas, que acompanha de perto a situação do ex-presidente. Em uma publicação feita na rede social X, antigo Twitter, o advogado explicou que os exames apontaram um quadro que não tem muita alternativa. “A equipe médica acaba de deixar a Superintendência da Polícia Federal após realizar exames de ultrassonografia no Pr. Jair Bolsonaro. Os exames identificaram duas hérnias inguinais, e os médicos recomendaram que ele seja submetido a um procedimento cirúrgico, a única forma de tratamento definitivo para o quadro”, escreveu.
O exame só foi possível depois de uma autorização concedida na sexta-feira (12) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro cumpre pena em regime fechado na Superintendência da PF no Distrito Federal, o que faz com que qualquer atendimento médico precise seguir regras rígidas e passar pelo aval do Judiciário. Moraes autorizou que o ultrassom fosse feito no próprio local onde o ex-presidente está custodiado, atendendo ao pedido apresentado pela defesa.
De acordo com os advogados, o médico Bruno Luís Barbosa Cherulli foi até a PF com um equipamento portátil de ultrassom. A intenção era examinar especificamente as regiões inguinais direita e esquerda, já que Bolsonaro vinha se queixando de dores e desconforto nos últimos dias. Quem acompanha a trajetória do ex-presidente lembra que ele já passou por diversas cirurgias desde o atentado sofrido em 2018, durante a campanha eleitoral, o que sempre gera preocupação entre aliados e apoiadores.
Além da questão médica, a defesa também tentou avançar em outro ponto sensível nesta semana: o regime de visitas. Os advogados fizeram um novo pedido ao STF solicitando um cadastro prévio apenas de Michelle Bolsonaro e dos filhos do ex-presidente. A proposta era permitir visitas de segunda a sexta-feira, diretamente na Superintendência da PF, sem a necessidade de autorizações judiciais repetidas toda semana, o que, segundo a defesa, acaba sendo burocrático demais.
No entanto, o ministro Alexandre de Moraes não acatou o pedido. Ele decidiu manter as regras atuais, que exigem autorização judicial para cada visita. Para o ministro, não existe justificativa plausível para mudar os procedimentos já estabelecidos. Em sua decisão, Moraes afirmou que “não há qualquer motivo razoável para que sejam feitas alterações” nas normas em vigor.
O caso segue gerando repercussão política e jurídica, especialmente em um momento em que o país ainda vive um clima de polarização. De um lado, apoiadores de Bolsonaro veem a situação como mais um capítulo de sofrimento pessoal e cobram mais flexibilidade. Do outro, críticos defendem que a lei deve ser cumprida da mesma forma para todos, sem privilégios. Enquanto isso, a recomendação médica de uma nova cirurgia coloca mais uma vez a saúde do ex-presidente no centro das atenções, reacendendo debates e levantando dúvidas sobre os próximos passos.