O que 2025 deixa à lusofonia

2025: Um Ano de Revelações e Desafios na Política Internacional

O ano de 2025 se mostrou muito mais do que um simples marco temporal; ele foi um período repleto de descobertas e mudanças significativas no cenário global. O que antes parecia ser uma ordem mundial estável e previsível agora se revela como um jogo de xadrez, onde as peças estão em constante movimento e as estratégias estão sendo constantemente reavaliadas. Nesse contexto, a relação entre Brasil e Portugal se torna ainda mais relevante e cheia de nuances geopolíticas.

A Guerra na Ucrânia e Seu Impacto Global

Um dos principais fatores que moldaram o cenário internacional em 2025 foi a guerra na Ucrânia. Esse conflito se consolidou como o eixo central que reorganizou as dinâmicas de poder mundial. Questões cruciais como energia, inflação e cadeias de abastecimento passaram a girar em torno deste conflito. Portugal, por sua vez, fez uma escolha clara: alinhou-se de forma incondicional com a NATO e a União Europeia, enfatizando sua posição dentro do bloco europeu.

No entanto, o Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, optou por uma abordagem mais complexa e sofisticada. Em vez de simplesmente escolher um lado, o país adotou uma postura de mediação ativa. Essa estratégia não deve ser confundida com neutralidade; na verdade, representa uma leitura crítica e histórica do mundo atual. Em um ambiente polarizado, a habilidade de dialogar com todos é uma forma avançada de exercer poder e influência.

O Retorno de Donald Trump e suas Consequências

O retorno de Donald Trump à Casa Branca trouxe uma nova camada de complexidade ao cenário internacional. O multilateralismo, que já enfrentava dificuldades, quase colapsou sob sua administração, sendo rebaixado a um instrumento opcional. Questões como clima, direitos humanos e instituições passaram a ser consideradas apenas quando conveniente. Para a Europa, isso gerou uma sensação de insegurança estratégica. Para o Brasil, confirmou que a autonomia diplomática não é um luxo, mas uma necessidade vital.

Portugal, por sua vez, se viu diante de um dilema: como reforçar sua conexão com a Europa sem sacrificar sua liberdade de ação no Atlântico. É nesse contexto que a relação entre Brasil e Portugal adquire um novo significado e importância. Em 2025, ambos os países atuaram como tradutores um do outro em diferentes esferas de poder, ajudando a suavizar tensões e a promover diálogos construtivos.

A Importância da Língua e das Relações Luso-Brasileiras

O papel de Portugal em abrir portas e facilitar a comunicação em Bruxelas foi crucial. Ele mediou percepções e ajudou a tornar mais viável o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, enquanto o Brasil, com sua densidade diplomática, trouxe uma nova escala política às negociações. Essa colaboração é um ativo raro em um mundo onde blocos rígidos dominam.

Desafios e Oportunidades no Cenário Africano

A China, com sua abordagem silenciosa e metódica, avançou em suas relações com Angola e Moçambique, mas esses países rapidamente perceberam que a dependência não é uma estratégia viável. O Corredor do Lobito emergiu como um símbolo de uma África lusófona que começa a se conscientizar de seu valor geopolítico. Aqui, Portugal surge novamente como um parceiro técnico, enquanto o Brasil se apresenta como uma referência política e diplomática.

A Questão do Oriente Médio e a Crise em Gaza

No Oriente Médio, a situação em Gaza expôs as falhas do sistema internacional. Vetos e discursos vazios substituíram ações decisivas. O Brasil tentou resgatar uma tradição de equilíbrio enquanto Portugal manteve sua posição alinhada com a Europa. A ONU, mesmo com sua voz forte, foi ignorada, revelando que a questão não é a falta de instituições, mas sim a ausência de vontade política para respeitá-las.

O Futuro e a COP30 em Belém

A COP30, sediada em Belém, reposicionou o Brasil como uma liderança climática, mas deixou claro que a retórica sem ação real não leva a lugar algum. A África lusófona, que não busca aplausos, mas sim justiça climática, oferece uma oportunidade concreta para que Brasil e Portugal construam uma agenda comum que vá além das palavras.

BRICS: Uma Nova Era de Multipolaridade

A expansão dos BRICS confirmou que o mundo se tornou multipolar antes mesmo de aprender a lidar com essa nova realidade. O bloco ganhou peso, mas também contradições. Para o Brasil, esta é uma plataforma única, enquanto Portugal, como observador, percebe que entender os BRICS é parte essencial de sua política externa, mesmo mantendo seu foco na Europa.

O Cenário Econômico e os Desafios Futuros

Com juros altos, fragmentação produtiva e a corrida por minerais críticos, as hierarquias econômicas estão sendo redesenhadas. Brasil e Angola emergem como centros estratégicos, enquanto países menores lutam com dívidas crescentes. O crescimento econômico, portanto, tornou-se uma questão política.

Reflexão Final

O balanço de 2025 é claro: o tempo da ingenuidade internacional chegou ao fim. Aqueles que não conseguem transformar relações históricas em estratégias eficazes correm o risco de perder relevância. Brasil e Portugal se deparam com uma escolha crucial em 2026: continuar conectados apenas pelo passado ou assumir um papel ativo em um mundo que não está disposto a esperar por ninguém.



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