Exame confirma detalhe inexplicável em menino encontrado em situação chocante

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), informou na manhã desta terça-feira (13) que exames médicos descartaram qualquer indício de violência sexual contra o menino Anderson Kauan, de 8 anos, encontrado após dias desaparecido em Bacabal, no interior do estado. A informação trouxe um certo alívio diante da gravidade do caso, mas não diminuiu a angústia que ainda paira sobre a cidade: os irmãos do garoto, Ágatha Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, continuam desaparecidos.

Anderson foi localizado no dia 7 de janeiro por carroceiros que passavam por uma estrada de terra, a cerca de 100 metros do Rio Mearim. O menino estava em situação extremamente delicada: sem roupas, debilitado, confuso e desorientado. A cena chocou até mesmo pessoas acostumadas com a dureza da vida rural. O resgate foi imediato, e a criança foi encaminhada para atendimento médico, onde passou por exames detalhados que descartaram a ocorrência de abuso sexual.

Desde então, Anderson permanece internado no Hospital Geral de Bacabal. Segundo o governo do estado, ele recebe acompanhamento médico e multiprofissional, com quadro clínico estável e evolução considerada positiva. Apesar disso, os cuidados seguem intensos, não apenas pelo desgaste físico, mas também pelo impacto psicológico causado pelos dias em que ficou perdido na mata.

As buscas por Ágatha e Allan chegaram ao décimo dia nesta terça-feira. Os irmãos desapareceram na tarde de 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, na zona rural do município. O que parecia uma brincadeira comum de crianças terminou em um dos casos mais angustiantes da região nos últimos anos. Mais de 600 pessoas estão mobilizadas, entre bombeiros, policiais, voluntários e moradores locais.

A área de busca é extensa, de difícil acesso e cercada por vegetação fechada, o que complica ainda mais o trabalho das equipes. Drones, cães farejadores e embarcações têm sido utilizados diariamente. Mesmo assim, até agora, nenhum sinal concreto das duas crianças foi encontrado, o que aumenta o desespero da família e da comunidade.

Durante as buscas, um episódio acabou ampliando a tensão em torno do caso. Um homem foi detido um dia antes do resgate de Anderson, suspeito de tentativa de estupro contra uma adolescente de 16 anos, em ocorrência registrada no dia 1º de janeiro. De acordo com a Polícia Civil, ele é companheiro da avó de um dos meninos. Apesar da coincidência temporal, as autoridades reforçam que a prisão não tem relação direta com o desaparecimento das crianças.

Na residência do suspeito, os agentes encontraram roupas sujas e três cruzes, o que rapidamente gerou especulações e boatos, especialmente nas redes sociais. A polícia, no entanto, pede cautela e afirma que não há elementos que liguem o homem ao sumiço das crianças, alertando para o risco de julgamentos precipitados.

No dia seguinte ao resgate de Anderson, um calção e uma sandália foram encontrados em uma área de matagal. Após perícia, a Polícia Civil confirmou que os objetos pertenciam ao menino. As peças ajudaram a reforçar a linha de investigação sobre o trajeto percorrido por ele enquanto esteve desaparecido, mas ainda não esclareceram como conseguiu sobreviver sozinho por tanto tempo.

Anderson tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que torna o caso ainda mais delicado. Segundo especialistas, a experiência de ficar três dias perdido na mata pode gerar traumas profundos. Por isso, o depoimento do menino será colhido apenas por profissionais capacitados. No último domingo (11), uma equipe do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegou a Bacabal para acompanhar de perto o caso.

Enquanto as investigações continuam, Bacabal vive dias de apreensão, fé e expectativa. Em meio a tantas incertezas, a esperança é que Ágatha e Allan sejam encontrados e que essa história, que já marcou a cidade, tenha um desfecho menos doloroso do que muitos temem.



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