Associação de peritos diz que acompanha “com atenção” decisões de Toffoli

A Importância da Perícia Oficial na Análise de Provas Criminais

A APCF, que é a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, está observando atentamente as decisões recentes do ministro Dias Toffoli do STF, que envolvem o tratamento de bens, documentos e dispositivos eletrônicos que foram apreendidos pela Polícia Federal. Essa atenção se deve ao impacto que essas decisões podem ter sobre a forma como as investigações são conduzidas e, principalmente, sobre a validade das provas coletadas.

Decisões de Toffoli e suas Implicações

As determinações do ministro Toffoli começaram a ganhar destaque com o lacre e o acautelamento do material apreendido durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Mais tarde, ele autorizou que o conjunto probatório fosse enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR). Essas decisões levantam questões importantes sobre como as provas devem ser tratadas e quem tem a responsabilidade de analisá-las.

A APCF se posicionou por meio de uma nota onde destaca a importância da atuação do Ministério Público, que é fundamental para que se forme uma convicção jurídica a respeito da materialidade e autoria dos crimes que estão sendo investigados. No entanto, a associação também enfatiza que a análise de vestígios e a elaboração de provas não são funções do órgão acusador.

Responsabilidades da Polícia Federal

A APCF argumenta que essa responsabilidade cabe às unidades oficiais de criminalística da Polícia Federal, em especial ao INC, que é o Instituto Nacional de Criminalística. Esse instituto possui não apenas a competência legal, mas também a estrutura técnica e científica necessária para produzir provas periciais, ainda mais em casos que envolvem dispositivos eletrônicos e mídias digitais.

Além disso, a nota da APCF ressalta que os peritos criminais federais têm autonomia técnico-científica e funcional garantida por lei. Essa autonomia é vital para que possam realizar os exames periciais seguindo rigorosamente os protocolos técnicos e a cadeia de custódia. Essas práticas são essenciais para assegurar a validade científica das provas, o devido processo legal e garantir o direito à ampla defesa das partes envolvidas.

Riscos de Não Submissão à Perícia

A APCF também expressou sua preocupação com os riscos que podem surgir da não submissão do material apreendido à perícia oficial. Um dos pontos críticos que a entidade destaca é que atrasos no encaminhamento do material ou a realização de exames fora das unidades especializadas podem levar à perda de vestígios relevantes. Em investigações que envolvem dispositivos eletrônicos, isso pode ser ainda mais grave, pois há a possibilidade de que informações cruciais sejam perdidas devido a alterações automáticas que podem ser provocadas pelos próprios sistemas operacionais.

A Importância de Provas Científicas

Por fim, a APCF reitera a necessidade de que todo material apreendido seja destinado à perícia oficial, que é legalmente responsável pela produção da prova científica. Essa medida é crucial para garantir a integridade dos vestígios e a confiabilidade da prova material, em conformidade com a legislação processual penal e com as melhores práticas da ciência forense.

É importante que todos os envolvidos em uma investigação criminal compreendam a relevância de seguir esses procedimentos. Afinal, a integridade das provas é fundamental para que a justiça seja feita de forma adequada e justa. Portanto, a atuação da perícia oficial não é apenas uma formalidade, mas sim uma etapa essencial que pode determinar o resultado de um processo judicial.

Conclusão

A análise de provas em investigações criminais é um campo complexo que exige atenção e detalhamento. A APCF, com seu comprometimento em zelar pela qualidade das perícias realizadas, nos lembra da importância de respeitar as atribuições legais de cada órgão envolvido. Assim, a confiança na justiça e na eficácia das investigações pode ser preservada.



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