O deputado estadual baiano Alan Sanches, do União Brasil, morreu neste sábado (17), aos 58 anos. A informação foi confirmada pelo próprio partido, por meio de uma publicação nas redes sociais. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada oficialmente, o que acabou aumentando ainda mais o clima de surpresa e comoção entre colegas, aliados e até adversários políticos.
Na nota publicada no Instagram, o União Brasil destacou o perfil conciliador e humano de Alan. “Foi mais do que um parlamentar: foi um homem de diálogo, de dedicação e de valores. Deixa um legado de respeito, serviço e amor pela vida pública”, dizia um trecho da mensagem. A repercussão foi imediata. Diversas lideranças políticas da Bahia e de outros estados prestaram homenagens, lembrando não só do político, mas também do homem por trás do cargo.
A morte de Alan Sanches acontece em um momento delicado da política baiana, marcada por debates intensos na Assembleia Legislativa e por discussões nacionais que vêm dominando o noticiário, como decisões do STF e embates entre Executivo e Legislativo. Mesmo assim, o clima neste sábado foi de pausa. Muitos deputados interromperam agendas e usaram as redes para manifestar pesar.
Alan Sanches estava em seu sexto mandato eletivo, algo cada vez mais raro na política atual, onde a renovação vem sendo bastante cobrada pelo eleitor. Em 2022, ele foi eleito deputado estadual pela quarta vez consecutiva, mostrando força eleitoral e uma base sólida, especialmente em Salvador. Antes disso, já havia ocupado o cargo em legislaturas anteriores, sempre com atuação discreta, mas constante.
Sua trajetória política começou na Câmara Municipal de Salvador. Alan foi vereador por dois mandatos: o primeiro em 2004, quando se elegeu pelo PRP, e o segundo em 2008, já pelo PMDB. Em determinado momento, chegou a presidir a Câmara, função que, segundo aliados da época, exerceu com perfil mais técnico do que midiático. Não era do tipo que buscava holofotes o tempo todo, e talvez por isso tenha construído uma imagem de político acessível e respeitado nos bastidores.
Além da vida pública, Alan Sanches tinha uma carreira sólida fora da política. Ele era médico ortopedista, formado e atuante na área da saúde. Colegas médicos costumavam dizer que ele nunca abandonou totalmente a profissão, mesmo com a rotina puxada da política. Para muitos pacientes, era o “doutor Alan”, antes mesmo do “deputado Alan”. Isso ajudou a moldar sua visão mais prática sobre temas como saúde pública e atendimento hospitalar.
Nos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia, o sentimento era de incredulidade. Pessoas próximas relataram que Alan mantinha uma rotina ativa e não havia informações públicas sobre problemas graves de saúde. A falta de detalhes sobre as circunstâncias da morte também contribuiu para o impacto da notícia, gerando muitas especulações, embora a família tenha pedido respeito e discrição neste momento difícil.
Alan Sanches deixa familiares, amigos, eleitores e uma história construída ao longo de décadas na vida pública. Concordando ou não com suas posições políticas, até críticos reconhecem que ele manteve uma postura de diálogo e respeito, algo cada vez mais raro em tempos de polarização extrema. Sua morte encerra um ciclo importante na política baiana e deixa um vazio difícil de preencher, principalmente para quem convivia com ele no dia a dia.