Lula chama Erika Hilton de “ele” em evento oficial e caso repercute nas redes

Na última sexta-feira (16), um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou virando assunto nacional, não exatamente pelo tema central do evento, mas por uma fala que gerou polêmica nas redes sociais. A declaração ocorreu durante a cerimônia de lançamento oficial das medalhas comemorativas dos 90 anos do salário mínimo, realizada nas instalações da Casa da Moeda, no Rio de Janeiro.

Enquanto falava sobre os riscos do uso indevido da inteligência artificial, Lula citou um exemplo envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), mulher trans, e usou o pronome masculino ao se referir a ela. O trecho rapidamente viralizou, principalmente por tocar em um tema sensível e recorrente no debate público: o respeito à identidade de gênero.

— E vocês mulheres tomem cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua sentada do jeito que você tá aqui e colocar você pelada no celular. Ele é capaz de tirar uma foto da Erika, vestidinha do jeito que ele tá, com a perna cruzada, e amanhã aparecer no celular a Erika sentada, pelada aqui — afirmou o presidente.

A fala aconteceu em meio a uma crítica mais ampla sobre os perigos da tecnologia quando usada de forma criminosa ou antiética. Ainda assim, o recorte envolvendo o nome da deputada ganhou destaque imediato, provocando reações diversas, tanto de apoiadores quanto de críticos do governo.

No mesmo discurso, Lula também aproveitou para ironizar o universo dos influenciadores digitais no Brasil. Segundo ele, conteúdos mais rasos acabam tendo muito mais alcance do que trabalhos ligados à educação ou ao conhecimento técnico.

— Não vejo um professor de matemática com quatro milhões de seguidores. Mas, se um influencer estiver falando bobagem, pode até ter 20 milhões. Bolsonaro tinha 30 milhões — disparou o petista, arrancando risadas e aplausos de parte da plateia, mas também reacendendo disputas políticas antigas.

Como já virou hábito em suas falas públicas, o presidente ainda direcionou críticas duras aos jogos de azar online, especialmente às chamadas “bets”, que hoje patrocinam clubes de futebol, campeonatos e invadem o cotidiano das famílias brasileiras.

— O cassino entrou dentro de casa. A criança pega o telefone do pai e começa a jogar. Essas bets estão tomando conta do futebol, da publicidade e vêm acompanhadas de corrupção. Estou trabalhando com o Banco Central para que essa gente pague, pelo menos, imposto neste país — concluiu Lula.

Diante da repercussão, a deputada Erika Hilton se manifestou no domingo (18) para rebater a interpretação de que o presidente teria se referido diretamente a ela usando o pronome “ele”. Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Hilton afirmou que sequer estava presente no evento, realizado no Rio de Janeiro.

Segundo a parlamentar, ela estava no interior de São Paulo nos últimos dias e, portanto, não poderia ter sido o alvo da fala presidencial. Erika ainda destacou que o nome citado por Lula poderia se referir a outra pessoa da plateia.

— Não, o presidente Lula não me chamou de “ele” durante um evento no Rio de Janeiro. Porque eu literalmente não estava nesse evento. Há dias estou no interior de São Paulo. E Lula estava conversando com uma pessoa da plateia. Eu não sou a única mulher chamada Erika do mundo — escreveu.

A declaração da deputada dividiu opiniões. Enquanto alguns internautas aceitaram a explicação e defenderam o presidente, outros seguiram cobrando mais cuidado na escolha das palavras, especialmente quando o assunto envolve identidade de gênero e representatividade.

O episódio mostra como discursos públicos, mesmo quando improvisados, têm impacto imediato e amplo. Em tempos de redes sociais, qualquer frase fora de contexto — ou mal interpretada — pode ganhar proporções enormes. E, goste-se ou não, Lula segue sendo um dos personagens centrais desse cenário, onde política, linguagem e tecnologia se misturam o tempo todo.



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