Ludmilla voltou a chamar atenção nas redes e nos bastidores da mídia após se recusar a conceder entrevista a uma repórter do SBT ao ser abordada recentemente. A atitude foi direta, sem rodeios, mas também sem ataque pessoal à profissional. Segundo relatos, a cantora deixou claro que o problema não era com a jornalista, e sim com a emissora.
“Não é nada contra você, mas eu não falo com o SBT porque eles defendem racista”, afirmou Ludmilla, de acordo com a página Brasil Brega Funk. A informação foi posteriormente confirmada pelo portal Metrópoles junto à assessoria da artista.
O episódio reacendeu uma polêmica antiga, mas que nunca deixou de render capítulos. A decisão da cantora está ligada à permanência de Marcão do Povo no SBT, mesmo após o caso de racismo ocorrido em 2017. Na ocasião, durante uma entrada ao vivo, o jornalista se referiu a Ludmilla como “macaca”, termo que gerou forte repercussão negativa, revolta nas redes sociais e um processo judicial movido pela artista.
Desde então, a relação entre Ludmilla e a emissora ficou marcada por esse episódio. Embora o SBT tenha, ao longo dos anos, adotado discursos institucionais contra o preconceito racial, a manutenção do apresentador no quadro da casa segue sendo vista pela cantora como contraditória. Para ela, o gesto passa uma mensagem equivocada e enfraquece qualquer posicionamento público de combate ao racismo.
O embate ganhou novos contornos entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Nesse período, Marcão do Povo entrou com uma ação judicial contra Ludmilla após a artista publicar um vídeo nas redes sociais afirmando que o jornalista não teria sido inocentado no processo relacionado ao caso de racismo. Na Justiça, ele alegou que foi absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2024 e, por isso, registrou uma notícia-crime contra a cantora, acusando-a de chamá-lo injustamente de racista.
Ludmilla, no entanto, sustenta outra versão. Segundo a cantora, a decisão citada pelo jornalista não representa uma absolvição do mérito, mas sim uma manobra processual. Ela afirma que, nas instâncias anteriores, o ato racista foi reconhecido, e que isso não pode ser apagado por decisões técnicas posteriores. Para a artista, a discussão vai além de um processo jurídico e toca em uma ferida social ainda aberta no Brasil.
Nas redes sociais, a recusa da entrevista dividiu opiniões. Parte do público elogiou a postura firme de Ludmilla, destacando a importância de artistas usarem sua visibilidade para cobrar coerência de grandes veículos de comunicação. Outros, por outro lado, argumentaram que a situação poderia ser tratada de forma diferente, separando a emissora dos profissionais que nela trabalham.
O fato é que Ludmilla tem adotado uma postura cada vez mais assertiva em relação a temas sociais, especialmente quando envolvem racismo, representatividade e respeito. Em entrevistas anteriores, a cantora já deixou claro que não pretende “virar a página” sem que haja reconhecimento claro do erro e mudança concreta de postura.
Enquanto isso, o SBT segue em silêncio sobre o episódio mais recente, e Marcão do Povo mantém suas atividades normalmente na emissora. O caso, que começou há quase uma década, mostra como certas feridas demoram a cicatrizar e como decisões institucionais podem reverberar por anos. Para Ludmilla, ao que tudo indica, a posição continua a mesma: enquanto não houver coerência entre discurso e prática, o diálogo segue fechado.