Dados Alarmantes: A Realidade da Violência Contra Pessoas Trans no Brasil
Nesta última segunda-feira, 26 de setembro de 2025, a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) divulgou um dossiê preocupante que revela um aumento dos crimes violentos letais intencionais (CVLIs) motivados por transfobia. Nesse ano, foram registradas 80 mortes de pessoas transexuais, um número que, apesar de ser o menor em oito anos, ainda é inaceitável e alarmante.
O Perfil das Vítimas
Os dados apontam que a maioria das vítimas era composta por travestis e mulheres transexuais, em sua grande parte negras ou pardas, com idades entre 18 e 29 anos. Essa informação é crucial e traz à tona uma reflexão sobre como a sociedade vê e trata as pessoas trans, especialmente as mulheres trans, que são frequentemente alvo de violência de gênero.
Aumento nas Agressões
Embora o número de mortes tenha diminuído, o dossiê também destaca um aumento de 45% nas notificações de agressões por transfobia entre 2024 e 2025. Isso sugere que, mesmo com uma redução nas mortes, a violência contra a comunidade trans continua a ser um problema significativo, e que a intolerância ainda está muito presente no cotidiano.
Descrição do Perfil das Vítimas
Gênero
- Travestis e mulheres trans: 77 casos
- Homens trans e pessoas transmasculinas: 3 casos
Segundo a ANTRA, a predominância de vítimas femininas está diretamente ligada à violência de gênero que também afeta mulheres cisgênero. A escolha das vítimas reflete a identidade de gênero expressa por elas, o que é um fator preocupante e que denuncia a necessidade de uma maior proteção e respeito à diversidade de gênero.
Raça e Cor
Quando se analisa a questão da raça/cor, entre as 57 pessoas que se autodeclararam, 70% (ou seja, 40) eram negras ou pardas. Essa estatística é alarmante e mostra que a violência não atinge todas as pessoas de forma igual, mas sim acentua as desigualdades sociais que já existem. Em contraste, também foram registrados homicídios de 15 pessoas trans brancas e duas indígenas, reforçando a urgência de políticas públicas que abordem essa questão.
Faixa Etária
O dossiê também revela que a maioria das vítimas de homicídio tinha entre 18 e 29 anos, o que é bastante preocupante. Não houve registros de mortes para pessoas acima dos 60 anos, e foram documentadas duas vítimas menores de idade, sendo que a mais jovem tinha apenas 13 anos. Isso mostra que a juventude da população trans é uma fase extremamente vulnerável e que deve ser protegida.
Incidência por Estado
Os estados onde ocorreram o maior número de mortes são:
- Ceará: 8
- Minas Gerais: 8
- Bahia: 7
- Pernambuco: 7
- Goiás: 5
- Maranhão: 5
- Pará: 5
- Paraíba: 4
- Paraná: 4
- Rio Grande do Norte: 4
- São Paulo: 4
Infelizmente, não foram disponibilizadas informações sobre mortes nos estados do Acre, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins. A maioria dos assassinatos ocorre em locais públicos, especialmente em cidades do interior, com uma taxa alarmante de 67,5%. Isso evidencia que a violência não se restringe a áreas urbanas, mas permeia todo o Brasil, que continua a ser o país que mais mata pessoas trans, com essa triste realidade se estendendo por quase duas décadas.
Reflexões Finais
Essa situação exige uma reflexão profunda da sociedade sobre como tratamos as questões de gênero e diversidade. É necessário um esforço conjunto para mudar essa realidade e garantir que todas as vidas sejam valorizadas e respeitadas. O dossiê da ANTRA é um chamado à ação para que possamos lutar contra a transfobia e promover um ambiente seguro para todos. O que podemos fazer para ajudar a mudar essa realidade? A discussão e a conscientização são os primeiros passos.