O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que deve viajar a Washington no início de março para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A previsão foi feita nesta terça-feira (27), durante uma entrevista coletiva concedida no momento em que Lula desembarcava no Panamá. O petista está no país caribenho para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, evento que reúne líderes políticos, empresários e representantes de organismos internacionais.
Segundo Lula, o encontro com Trump é necessário para que os dois líderes possam alinhar posições e tratar de temas delicados da política internacional. Em tom direto, o presidente brasileiro disse que certos assuntos só avançam quando os chefes de Estado “conversam olhando um no olho do outro”. A frase, simples, mas carregada de simbolismo, resume o estilo diplomático que Lula costuma adotar desde seus primeiros mandatos.
Durante a entrevista, o presidente contou que vem mantendo uma agenda intensa de contatos com lideranças mundiais. “Eu conversei com o Trump ontem, eu conversei com o Macron hoje, eu conversei com o Boric hoje e depois vou conversar com mais gente”, afirmou. Lula explicou que esses diálogos fazem parte de uma articulação maior em defesa do multilateralismo, da democracia e da retomada do crescimento econômico global, temas que voltaram ao centro do debate internacional nos últimos meses.
Para o presidente, a expectativa é positiva. Lula disse estar convencido de que a relação entre Brasil e Estados Unidos tende a se normalizar “logo, logo”. Segundo ele, fortalecer o diálogo entre países é fundamental para que as economias voltem a crescer e para que a população sinta resultados concretos. “É isso que o povo espera de todos nós”, declarou, em um tom mais político e próximo do eleitor comum.
Vale lembrar que Lula não participou do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, entre os dias 19 e 23 de janeiro. Na ocasião, a representação brasileira ficou sob responsabilidade da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Já nesta quarta-feira (28), o presidente brasileiro deve discursar no evento que ficou conhecido como o “Davos da América Latina”, reforçando a importância da integração regional e da cooperação econômica entre os países latino-americanos.
Outro ponto abordado por Lula foi o telefonema recente com Donald Trump. Segundo o presidente, um dos temas discutidos foi o conselho de paz criado pelo republicano. Lula pediu que o escopo do órgão se concentre exclusivamente na situação da Faixa de Gaza e defendeu que a Palestina tenha um assento garantido no grupo. Para ele, qualquer tentativa de mediação sem a presença palestina perde legitimidade desde o início.
A conversa também incluiu a situação da Venezuela, país que vive uma crise política e econômica prolongada. Os Estados Unidos entraram com ações para prender Nicolás Maduro, acusado de narcoterrorismo. Lula, no entanto, adotou um discurso cauteloso e defendeu que a solução para o impasse venezuelano deve partir do próprio povo do país. “Quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano. Não será o Brasil, não será os Estados Unidos”, afirmou.
Segundo o presidente brasileiro, a comunidade internacional precisa ter paciência e atuar de forma responsável, ajudando para que os venezuelanos possam decidir seu próprio destino. A fala reflete uma posição que Lula já expressou outras vezes: evitar intervenções externas diretas e apostar no diálogo como caminho principal.
Com a possível viagem a Washington marcada para março, o governo brasileiro sinaliza que pretende intensificar sua atuação no cenário internacional. Em um mundo cada vez mais polarizado, Lula aposta no contato direto, na conversa franca e no peso da diplomacia tradicional para tentar reposicionar o Brasil como um ator relevante nas grandes decisões globais.