O deputado federal Coronel Meira (PL-PE) entrou com um pedido formal na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de uma investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A iniciativa do parlamentar reacende o debate sobre a relação entre autoridades públicas, o sistema financeiro e a transparência nos bastidores do poder em Brasília.
De acordo com o documento protocolado, Meira aponta possíveis indícios de conflito de interesses e até prevaricação envolvendo encontros reservados entre Moraes, o empresário Daniel Vorcaro — controlador do Banco Master — e Paulo Henrique Costa, que na época presidia o Banco de Brasília (BRB). O ponto central da denúncia gira em torno do contexto desses encontros, que teriam ocorrido justamente no período em que o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras e buscava apoio do BRB para não entrar em colapso.
Segundo as informações apresentadas, Alexandre de Moraes teria estado pelo menos duas vezes na residência de Vorcaro, localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília e a cerca de oito quilômetros da Praça dos Três Poderes. A proximidade geográfica, aliás, não passou despercebida pelo deputado, que destaca o peso simbólico e institucional desses encontros fora de qualquer agenda oficial.
Um dos episódios teria ocorrido no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, Moraes teria se reunido de forma privada com Paulo Henrique Costa, sem que houvesse qualquer registro formal do encontro. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles, que vem acompanhando o caso desde as primeiras revelações. Já outro encontro teria acontecido em 6 de novembro de 2024, quando o ministro acompanhou a apuração das eleições dos Estados Unidos na mesma residência, em um ambiente descrito como de “acesso restrito”.
Para o deputado Coronel Meira, os fatos relatados não foram devidamente analisados em uma investigação anterior que acabou sendo arquivada. Ele argumenta que surgiram novos elementos que, agora, podem configurar ilícitos de natureza penal, funcional ou administrativa. Segundo ele, não se trata de um encontro social comum, mas de reuniões que envolvem interesses financeiros relevantes e figuras estratégicas do setor público.
“Estamos falando de encontros reservados entre um ministro do STF, um banqueiro que buscava socorro financeiro e o presidente de um banco público. Reuniões desse tipo, sem qualquer tipo de registro oficial, levantam dúvidas legitimas sobre a imparcialidade das decisões e sobre a conduta funcional de um magistrado da mais alta Corte do país”, afirmou o parlamentar em nota.
Outro ponto citado por Meira, e que pesa bastante na narrativa, é a contratação do escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes pelo Banco Master. O contrato, segundo o deputado, teria o valor de 129 milhões de reais. Para ele, esse detalhe agrava ainda mais as suspeitas e reforça a necessidade de uma apuração mais profunda.
“Quando um ministro do Supremo se reúne em ambiente privado com um empresário em crise financeira e com o dirigente de um banco público, a sociedade tem o direito de saber o que foi tratado ali. Não dá pra tratar esse tipo de encontro como algo normal ou apenas uma relação pessoal”, sustenta.
No pedido encaminhado à PGR, Coronel Meira solicita a instauração de um procedimento investigatório, a verificação de possível conexão com inquéritos que já estejam em andamento e a oitiva de Paulo Henrique Costa, na condição de testemunha. O caso promete gerar novos desdobramentos e já movimenta os bastidores políticos, num momento em que a cobrança por transparência das instituições nunca foi tão forte.