A influenciadora cristã Marianna Rangel virou assunto nas redes sociais na última semana depois de publicar um vídeo fazendo um alerta que, pra muita gente, soou urgente. Segundo ela, uma coleção recente da Renner traria peças “consagradas a entidades espirituais”, ligadas à umbanda e ao candomblé. O vídeo correu rápido, foi compartilhado em grupos religiosos e reacendeu uma velha discussão que sempre aparece e some, mas nunca morre de vez: até onde vai a moda, a fé e a liberdade de expressão.
No vídeo, Marianna fala direto, sem rodeios. Diz que muitas pessoas estão comprando e usando roupas “sem nem saber” o significado por trás dos símbolos. Na legenda, ela foi ainda mais enfática: “Vigia pra não comprar essa coleção, irmãos”. Pra quem acompanha o conteúdo dela, o tom não surpreende. Marianna costuma misturar fé, cotidiano e alertas espirituais, sempre com uma linguagem simples e muito próxima do público evangélico.
Segundo a influenciadora, a coleção da Renner teria como tema a espiritualidade e algumas peças estariam ligadas a entidades de religiões de matriz africana. Ela cita símbolos que, para alguns, parecem apenas elementos estéticos, como conchas, desenhos abstratos ou referências naturais. Mas, na visão dela, esses detalhes teriam um significado espiritual mais profundo. “Você que é cristão pode estar comprando algo pensando que é só uma concha de praia”, disse no vídeo. “A coleção é sobre espiritualidade e consagrada a espíritos e entidades da umbanda, candomblé e religiões de matriz africana.”
A fala mais forte veio logo depois, quando Marianna orienta seus seguidores a não apenas evitar vestir essas roupas, mas também não levá-las pra dentro de casa. “Não vista e não coloque dentro da sua casa roupas e objetos consagrados”, afirmou. A declaração dividiu opiniões quase que imediatamente. Enquanto seguidores elogiaram a “coragem” e disseram que ela estaria abrindo os olhos do povo, outros acusaram a influenciadora de intolerância religiosa e desinformação.
Esse tipo de embate não é novo. Nos últimos anos, marcas de moda têm apostado cada vez mais em referências culturais, espirituais e identitárias, tentando dialogar com diversidade e ancestralidade. Ao mesmo tempo, cresce nas redes um público religioso mais atento, que questiona símbolos, campanhas publicitárias e até cores usadas em determinadas épocas do ano. Basta lembrar das polêmicas recentes envolvendo carnaval, enredos de escolas de samba e manifestações religiosas, que sempre acabam virando munição nas redes.
Até o momento, a Renner não se pronunciou oficialmente sobre as falas de Marianna Rangel. A marca, que costuma trabalhar com conceitos amplos e tendências globais, já enfrentou outras críticas no passado, mas geralmente evita entrar em debates religiosos de forma direta. Ainda assim, o assunto ganhou tração suficiente pra virar pauta em perfis de fofoca, canais cristãos e até rodas de conversa fora da internet.
No fim das contas, a polêmica mostra mais uma vez como símbolos nunca são “só símbolos” pra todo mundo. O que pra uns é moda, pra outros é fé. O que parece arte, pra alguém pode ser afronta espiritual. E no meio disso tudo, as redes sociais seguem sendo palco de choques, exageros, recortes fora de contexto e opiniões ditas no calor do momento.

Se a intenção de Marianna era alertar, ela conseguiu. Se era provocar debate, também. Resta saber agora até onde essa discussão vai, e se, como tantas outras, vai desaparecer na próxima semana, substituída por uma nova controvérsia fresquinha no feed. Porque na internet, como a gente já sabe, nada dura muito — mas tudo deixa rastro.