PT muda posição e entra na CPI do Master para proteger Lula

A CPI que investiga o Banco Master ganhou um novo e importante capítulo nos últimos dias. Depois de uma resistência inicial, o PT, partido do presidente Lula, decidiu mudar de postura e agora passou a apoiar oficialmente a comissão. Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a sigla corre contra o tempo para garantir um espaço de destaque nas investigações e, claro, não ficar de fora de um assunto que já virou dor de cabeça no Planalto.

Essa virada de chave não aconteceu por acaso. Até pouco tempo, o partido evitava se comprometer com a CPI, alegando falta de informações mais consistentes. Agora, o discurso é outro. Segundo a colunista Thais Herédia, da CNN Brasil, a movimentação é vista por parlamentares e analistas como uma tentativa clara de blindar o presidente de qualquer respingo mais direto do escândalo. Em Brasília, quase ninguém acredita em coincidências, ainda mais quando política e dinheiro se misturam desse jeito.

O clima é de negociação intensa, mesmo sem garantia de que a estratégia vai dar certo. O governo tenta reequilibrar a narrativa, já que os vazamentos e bastidores revelados até agora acabaram expondo mais o Palácio do Planalto do que o centrão, algo que incomodou Lula e seus aliados. A leitura interna é que era preciso agir rápido para não perder totalmente o controle da situação e, ao mesmo tempo, se reaproximar do Congresso, que anda cada vez mais exigente.

Nesse jogo pesado, quem começa a ficar isolado é o Banco Central. A instituição virou alvo não só por sua atuação no caso Banco Master, mas também por disputas políticas que vão muito além da crise financeira em si. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trabalha nos bastidores para garantir que o PT tenha uma cadeira no Copom, o que aumentaria a influência do governo sobre a política monetária. Isso, por si só, já gera tensão com o BC.

Paralelamente, parlamentares governistas têm subido o tom contra a atuação da supervisão bancária, questionando decisões, prazos e até a forma como o Banco Central conduziu o processo de liquidação. Para críticos, o BC estaria sendo usado como bode expiatório em um jogo maior de poder, servindo como escudo político para proteger o núcleo do governo de críticas mais duras.

O Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, está no centro dessa tempestade. O rombo deixado ultrapassa os R$ 40 bilhões, um valor que assusta até quem já está acostumado com escândalos bilionários no Brasil. A instituição é investigada por fraudes contábeis, lavagem de dinheiro e até suspeitas de ligação com o PCC, o que elevou ainda mais a gravidade do caso.

Não é exagero dizer que se trata de uma das maiores crises financeiras e políticas recentes do país. O caso já respingou no STF, levantou dúvidas sobre a solidez do sistema bancário e colocou pressão sobre o Fundo Garantidor de Créditos, que agora tenta ressarcir centenas de milhares de investidores prejudicados. Muita gente perdeu economias de uma vida inteira, o que aumentou a cobrança por respostas rápidas e punições exemplares.

No meio disso tudo, a CPI surge como palco de disputa política. Para uns, é a chance de esclarecer tudo de forma transparente. Para outros, virou uma arena para proteger aliados e empurrar responsabilidades. O apoio tardio do PT só reforça a percepção de que, mais do que buscar a verdade, o foco agora é controlar danos. Resta saber se essa estratégia vai colar ou se novos fatos ainda vão bagunçar, de vez, o tabuleiro em Brasília.



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