Atriz veterana da Globo se assume lésbica aos 71 anos e choca fãs

O universo dos famosos sempre foi cercado de mistérios, histórias mal contadas e segredos bem guardados, daqueles que só saem quando o tempo passa e a cabeça das pessoas muda um pouco. Durante muitos anos, artistas esconderam quem realmente eram por medo de rejeição, perda de trabalho ou até de virar alvo de piadas cruéis. A orientação sexual, principalmente, sempre foi um desses assuntos tratados em silêncio absoluto nos bastidores da TV.

Com o passar dos anos, e também com a evolução da sociedade, esse cenário começou a mudar. Ainda lentamente, é verdade, mas mudou. Muitos artistas passaram a se sentir mais seguros para assumir seus relacionamentos e viver suas histórias sem tantas amarras. Mesmo assim, para quem construiu carreira em décadas bem mais conservadoras, esse passo nunca foi simples.

É justamente aí que entra a história de Fafy Siqueira. Aos 71 anos, consagrada como uma das grandes atrizes da TV Globo, ela decidiu falar abertamente sobre algo que manteve longe dos holofotes por quase toda a vida: sua sexualidade. A revelação pegou muita gente de surpresa, inclusive fãs antigos que acompanham sua trajetória desde os tempos de humorísticos e novelas marcantes.

Fafy assumiu publicamente um relacionamento com uma mulher 35 anos mais jovem, a produtora Fernanda Lorenzoni. As duas estão juntas há anos, mas só recentemente decidiram aparecer oficialmente como casal. O momento escolhido foi simbólico: durante sua participação no programa Caldeirão, apresentado por Marcos Mion, em rede nacional. Nada de anúncio planejado ou discurso ensaiado. Foi no clima de conversa que a atriz resolveu abrir o jogo.

Até então, Fafy sempre manteve a vida pessoal bastante reservada. Não negava, mas também não confirmava nada. Preferia o silêncio. No palco do Caldeirão, porém, ela apareceu ao lado da esposa e falou com uma sinceridade que chamou atenção. Sem rodeios, sem tentar dourar a pílula.

Em um dos trechos mais comentados da entrevista, a atriz explicou o motivo de nunca ter “saído do armário” antes. “Eu nunca saí do armário. Sempre fui dentro do armário pra caramba”, disse, arrancando risos e reflexões ao mesmo tempo. A frase resume bem o medo que acompanhou boa parte de sua vida artística. O receio do julgamento, da perda de espaço e do preconceito pesou por décadas.

O ponto de virada, segundo ela, veio depois de um acidente doméstico. Nada grave, mas suficiente para provocar uma reflexão profunda. Naquele momento, Fafy percebeu que não fazia mais sentido esconder quem estava ao seu lado de verdade, quem dividia a rotina, os medos e as conquistas. A vida, como ela mesma deu a entender, é curta demais pra viver pela metade.

Além da vida pessoal, Fafy Siqueira construiu uma carreira sólida e respeitada na televisão brasileira. Foram dezenas de trabalhos, principalmente na Globo, onde mostrou versatilidade no humor e no drama. Um dos papéis mais marcantes foi na minissérie “Dercy de Verdade”, em que interpretou ninguém menos que Dercy Gonçalves, ícone absoluto do humor nacional. O trabalho foi elogiado pela crítica e pelo público, consolidando ainda mais seu nome.

Hoje, ao assumir seu relacionamento, Fafy acaba se tornando também um símbolo para outras pessoas que passaram a vida se escondendo. Sua história mostra que nunca é tarde para ser quem se é, mesmo depois de décadas de silêncio. E, no meio artístico ou fora dele, isso ainda faz muita diferença.



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