Dobra na orelha: o que fazer se você tem o sinal de Frank e quais os riscos de problema no coração

O Que É o Sinal de Frank e Como Ele Pode Impactar Sua Saúde

Recentemente, o caso do sinal de Frank ganhou bastante atenção, fazendo muitos se perguntarem: “E se eu tiver um sinal parecido na orelha? O que fazer agora?”. É importante ressaltar que a presença desse sinal não é um diagnóstico em si, mas sim um indicativo que pode alertar sobre a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa da saúde cardiovascular.

O que é o Sinal de Frank?

O sinal de Frank foi descrito pela primeira vez em 1973 por um médico norte-americano chamado Sanders Frank. Ele se refere a uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, que, ao longo dos anos, foi associado a um envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos e a condições como a aterosclerose. Esse processo é caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura e colesterol nas artérias, aumentando assim o risco de eventos cardíacos sérios, como infarto e AVC.

Curiosamente, a explicação biológica por trás desse fenômeno é que o lóbulo da orelha é irrigado por microartérias. Acredita-se que a dobra no lóbulo da orelha esteja relacionada à desorganização das fibras de colágeno que conferem elasticidade aos vasos sanguíneos. Com a perda dessa elasticidade, as artérias podem se tornar mais rígidas, o que favorece o desenvolvimento de obstruções e complicações vasculares.

Importância da Avaliação Médica

De acordo com o cardiologista João Vicente da Silveira, da Unidade de Hipertensão do InCor da Faculdade de Medicina da USP, é fundamental não encarar essa dobra como uma sentença de morte, mas sim como um sinal de alerta. Ele enfatiza que muitos indivíduos podem ter doenças coronarianas sem apresentar esse sinal e, por outro lado, existem aqueles que possuem a prega na orelha e estão saudáveis. Portanto, a interpretação isolada desse sinal pode ser enganosa.

O dermatologista Hélio Amante Miot complementa que ter o sinal de Frank não significa que a pessoa está fadada a um evento cardíaco, mas sim que é um indicativo para que a saúde das artérias seja investigada, especialmente em adultos mais jovens ou em pessoas que apresentam outros fatores de risco. Esses fatores incluem:

  • Hipertensão (pressão arterial alta)
  • Níveis elevados de glicose no sangue
  • Colesterol alto (dislipidemia)
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Consumo excessivo de álcool
  • Sedentarismo
  • Apneia do sono
  • Histórico familiar de doenças cardiovasculares

Qualquer pessoa que tenha um ou mais desses fatores, ou que apresente a prega diagonal no lóbulo da orelha, deve ser avaliada do ponto de vista cardiovascular, alerta Miot.

A Relação com Doenças Cardíacas

Marcio Miname, diretor científico do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, destaca que a associação do sinal de Frank com a doença coronariana é reconhecida, mas não deve ser considerada um marcador independente. Estudos anteriores mostraram essa relação, mas geralmente em amostras menores de pacientes. É crucial que, independentemente da presença do sinal, as pessoas façam consultas regulares com seus médicos para monitorar fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia.

Os marcadores mais relevantes para a saúde cardíaca continuam sendo, como mencionado, o colesterol elevado, hipertensão, diabetes e tabagismo. Então, mesmo que alguém não tenha o sinal de Frank, isso não significa que a pessoa está livre de problemas cardíacos.

O Que Fazer ao Identificar o Sinal de Frank?

Se você perceber a presença do sinal de Frank, a recomendação é procurar um médico para uma avaliação completa. Isso pode incluir testes de colesterol e glicemia, além de eletrocardiogramas e ecocardiogramas, dependendo do perfil de risco de cada paciente. Em casos onde há suspeita de obstruções, exames mais invasivos, como cateterismo, podem ser solicitados.

O tratamento, caso necessário, pode envolver mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e, em situações extremas, procedimentos como a colocação de stents. Resumidamente, a dobra na orelha não é uma previsão de infarto, mas sim um sinal do corpo para que se olhe com mais atenção para a saúde cardiovascular.

Assim, é essencial agir cedo sobre os fatores que realmente influenciam o risco cardiovascular e buscar um estilo de vida saudável para garantir longevidade e bem-estar.



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