Flávio anuncia denúncia no TSE após desfile exaltando Lula: “Crimes do PT”

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na noite de domingo (15/2), na tradicional Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O clima, que já era de Carnaval, virou também clima de campanha antecipada — pelo menos nas redes sociais.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio não poupou palavras. Chamou de “ataques pessoais” as alegorias que, segundo ele, atingiram não só seu pai, mas também a instituição “família”. A crítica foi direcionada à escola Acadêmicos de Niterói, responsável pelo enredo que exaltou Lula como símbolo de esperança.

Nas redes, o senador foi direto: disse que a ação contra o que classificou como “crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público” será protocolada rapidamente no TSE. Em tom religioso e político, afirmou que houve ataque ao “maior projeto de Deus na Terra: a família”. E completou com uma frase de efeito, daquelas feitas pra viralizar: “Vamos vencer o mal com o bem!”.

Além dele, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também se manifestou. Disse que o partido deve adotar “todas as medidas judiciais cabíveis”, pedindo apuração sobre possível abuso de poder político e uso indevido de estruturas públicas. Nos bastidores de Brasília, o comentário era um só: o Carnaval acabou virando palanque.

O desfile da escola de Niterói não economizou em simbolismo. Em diferentes momentos, retratou os ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro, adversários históricos de Lula. Bolsonaro apareceu caracterizado como palhaço com faixa presidencial na comissão de frente. No fim da apresentação, surgiu como uma referência ao personagem Bozo, preso e usando uma tornozeleira eletrônica danificada — uma imagem forte, provocativa e que dividiu opiniões na arquibancada e principalmente na internet.

Outro ponto que gerou debate foi a ala chamada “neoconservadores em conserva”. A fantasia trazia uma grande lata com o desenho de uma família tradicional — homem, mulher e dois filhos. Segundo a escola, a ideia era representar grupos que fazem oposição ao presidente. No livro abre-alas, a agremiação explicou que a ala simbolizava setores que “levantam a bandeira do neoconservadorismo”, citando representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher da elite apelidada de “perua”, defensores da ditadura militar e grupos religiosos evangélicos.

Antes mesmo do desfile entrar na avenida, a polêmica já estava formada. A oposição tentou, sem sucesso, barrar judicialmente a apresentação. Parte dos aliados de Lula, nos bastidores, avaliava que a participação direta do presidente e da primeira-dama poderia ser uma “casca de banana” política. Afinal, 2026 já começa a dar sinais no horizonte, mesmo que oficialmente ninguém admita.

O enredo — “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” — foi elogioso e evitou temas espinhosos da trajetória do petista, como os processos e investigações por corrupção que marcaram anos anteriores. Foi um samba mais emocional do que combativo, digamos assim.

A primeira-dama Janja chegou a ser anunciada como destaque, mas desistiu de desfilar na última hora. A decisão veio em meio a questionamentos sobre possíveis implicações eleitorais. Ministros do governo também foram aconselhados a evitar a avenida. Lula, por sua vez, desceu do camarote para acompanhar parte do desfile mais de perto. Cercado por apoiadores, seguranças e jornalistas, caminhou rapidamente, acenou, sorriu.

No fim das contas, o que era pra ser só Carnaval virou também disputa política. Entre tamborins e alegorias, ficou claro que, no Brasil, até o samba pode acabar no tribunal. E essa história, ao que tudo indica, ainda vai render muitos capítulos.



Recomendamos