O sábado que deveria ser apenas mais um dia comum terminou em tragédia no bairro Jardim Europa, em Itumbiara, no sul de Goiás. Um caso pesado, difícil até de escrever sem dar aquela pausa pra respirar. Pedro da Costa Queiroz matou a ex-esposa a tiros dentro da própria casa e, logo depois, tirou a própria vida. Tudo aconteceu no dia 14, e deixou a vizinhança em choque.
A vítima, identificada como Elieser Teodoro da Silva, foi encontrada já sem vida dentro da residência. Segundo informações da Polícia Militar, os disparos foram ouvidos por moradores da região, que tentaram se aproximar para ajudar. Mas, de acordo com o portal Mais Goiás, o homem estava armado e ordenou que todos se afastassem. Um cenário de medo, daqueles que a gente só imagina ver em filme ou noticiário policial.
Pedro ainda chegou a ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Foi levado com vida, mas não resistiu aos ferimentos. A história, que já era trágica, ficou ainda mais dolorosa quando se soube que a filha da vítima, uma adolescente de apenas 15 anos, também foi agredida. Ela levou uma coronhada na cabeça, sofreu lesão na região craniana e precisou de atendimento médico. Felizmente, sobreviveu. Mas o trauma… esse ninguém sabe medir.
O imóvel foi isolado pela polícia para preservar a cena do crime. A perícia trabalhou no local recolhendo provas. Um revólver calibre .38 foi apreendido, além de outros pertences do autor. Tudo agora faz parte de um inquérito que está só começando.
O delegado Felipe Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara, afirmou que o caso é tratado como feminicídio seguido de suicídio. Em entrevista ao jornal O Hoje, ele explicou que as investigações ainda estão no início. “A princípio, é isso. Mas ainda vamos apurar tudo corretamente”, disse. Ele também reforçou que o inquérito será instaurado assim que a equipe retornar à delegacia, dando continuidade ao trabalho.
E aqui vale uma pausa. Feminicídio não é apenas mais um termo jurídico. É uma realidade que insiste em aparecer nas manchetes, quase sempre com as mesmas palavras, os mesmos roteiros tristes. Em pleno 2026, com tanta discussão sobre violência doméstica, medidas protetivas e campanhas de conscientização, ainda vemos casos assim. Parece que nada muda. Ou muda muito pouco.
O mais assustador é que essa tragédia aconteceu na mesma cidade onde, recentemente, outro caso brutal abalou a população. Os irmãos Miguel, de 11 anos, e Benício, de 8, foram mortos a tiros pelo próprio pai, Thales Machado, que era secretário de Governo do município e também tirou a própria vida. Dois episódios violentos, em tão pouco tempo, na mesma Itumbiara. Coincidência? Talvez. Mas o clima na cidade, segundo relatos de moradores nas redes sociais, é de medo e incredulidade.
Quem mora no Jardim Europa conta que a rua sempre foi tranquila. Daquelas onde as crianças andam de bicicleta no fim da tarde e os vizinhos se conhecem pelo nome. Agora, o silêncio é outro. Um silêncio pesado, meio desconfortável. É dificil não se perguntar o que poderia ter sido feito pra evitar mais uma morte.
A adolescente que sobreviveu carrega agora uma marca que vai muito além da cicatriz física. Ela perdeu a mãe de forma brutal e viu o próprio pai cometer um ato extremo. Não é só uma ocorrência policial. É uma família destruída.
A investigação segue. A polícia trabalha para esclarecer detalhes, entender a dinâmica dos fatos e confirmar oficialmente as circunstâncias. Mas, para quem acompanha de fora, fica aquela sensação amarga de déjà vu. Mais um caso. Mais uma mulher morta. Mais uma estatística que cresce.