Cantora e pastora Gláucia Rosane perde a vida aos 51 anos no Maranhão

A pastora e cantora gospel Glaúcia Rosane Tavares morreu na última quinta-feira (19), aos 51 anos, em São Luís, capital do Maranhão. A notícia pegou muita gente de surpresa, principalmente os fiéis que acompanhavam de perto a luta dela contra um câncer ósseo. Segundo informações da família, Glaúcia sofreu uma parada cardíaca dentro de casa. Ela ainda foi socorrida às pressas e levada para uma unidade hospitalar da cidade, mas infelizmente não resistiu.

Natural de Imperatriz, no interior do estado, Glaúcia construiu praticamente toda a sua trajetória ministerial em São Luís, onde morava há anos. Foi ali que ela fincou raízes, abriu a igreja e formou uma comunidade que hoje sente um vazio difícil de explicar. À frente do EKLÉSIA Ministério Internacional, ela se destacou pela maneira intensa de pregar. Não era só mais um sermão de domingo. Quem já participou de um culto liderado por ela diz que havia entrega, havia emoção — e às vezes até umas broncas carinhosas, coisa de quem queria ver o povo crescer na fé.

Além do púlpito, Glaúcia encontrou na música uma forma poderosa de evangelização. Ao longo da carreira, lançou 11 álbuns, todos com composições próprias. Não era apenas intérprete, era autora das próprias canções. Em um cenário gospel que muitas vezes gira em torno de grandes nomes nacionais, ela construiu um espaço sólido no Maranhão, com agenda de ministrações e convites para eventos em outros estados do Nordeste. Não ficou famosa como artistas que vivem aparecendo em programas de TV, mas dentro do seu meio era muito respeitada.

Mesmo enfrentando o câncer ósseo, um diagnóstico duro que costuma abalar qualquer pessoa, Glaúcia não se afastou totalmente das atividades da igreja. Continuava participando dos cultos sempre que conseguia. Em sua última publicação nas redes sociais, apareceu cantando durante uma celebração. Visivelmente mais frágil, com limitações físicas perceptíveis, mas ali estava. De pé, microfone na mão, louvando. A cena comoveu seguidores, especialmente depois da notícia da morte. Muita gente voltou no vídeo para comentar, como se já sentisse uma despedida silenciosa.

E não era só a fé que movia Glaúcia. Pouca gente sabe, mas ela também se dedicava às artes visuais. Usava o nome artístico Gal David para assinar suas obras. Suas pinturas retratavam elementos históricos e culturais do Maranhão — casarões antigos, cenas populares, referências à identidade nordestina. Era uma forma de demonstrar o amor pela terra onde escolheu viver. Essa mistura de espiritualidade com arte dava a ela uma personalidade diferente, múltipla.

O velório aconteceu na própria igreja que liderava, em São Luís. O culto de despedida foi marcado por homenagens, lágrimas e muitos louvores — do jeito que ela provavelmente gostaria. Amigos, familiares e membros da congregação lotaram o espaço nesta sexta-feira (20). O sepultamento foi realizado no Memorial Pax União, também na capital maranhense.

Nas redes sociais, o pastor e cantor Antônio Cirilo se manifestou sobre a partida de Glaúcia. Ele escreveu que ela era “apaixonada por Deus, apaixonada pela presença, cheia do Espírito”. Cirilo também afirmou que a voz dela ecoou pelo Brasil e pelo mundo. Em tom emocionado, relembrou o último encontro que teve com a pastora, no ano passado, durante uma ministração no Piauí.

No relato, ele confessou que não imaginava que aquele momento teria gosto de despedida. Disse ainda que, por ser mais velho, sempre pensou que partiria antes. Chegou a comentar com a esposa, em tom quase de brincadeira, que Deus estava levando as pessoas e o deixando para trás. Mas concluiu com uma frase simples, direta: a vida está nas mãos do Senhor.

A morte de Glaúcia deixa uma marca forte na comunidade evangélica maranhense. Fica o legado das músicas, das mensagens e das telas pintadas. E fica também a lembrança de uma mulher que, mesmo em meio à dor, escolheu continuar cantando.



Recomendamos