O caso que chocou moradores de Caldas Novas ganhou mais um capítulo daqueles que deixam qualquer um de boca aberta. O síndico Cléber Rosa de Oliveira, que já está preso desde o dia 28 de janeiro por confessar o assassinato da corretora Daiane Alves Souza, agora também é investigado por ter usado dinheiro do condomínio para pagar advogado. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Caldas Novas, em Goiás, por meio do delegado André Luiz, responsável pela investigação.
Segundo o delegado, a descoberta veio após a perícia no celular de Cléber. No aparelho, foram encontradas conversas com o advogado e, mais do que isso, um contrato de honorários enviado no dia 17 de janeiro. O detalhe que chamou atenção: no dia seguinte, foi feito um Pix da conta do condomínio para Maykon Douglas, filho do síndico, no mesmo valor descrito no contrato.
Coincidência? A polícia acredita que não.
O atual presidente da associação de moradores percebeu a movimentação e registrou boletim de ocorrência. O Pix, feito da conta do condomínio, levantou suspeitas imediatas. E aí a coisa começou a ficar mais séria do que já estava.
“Não estamos quebrando sigilo advogado-cliente”, explicou o delegado André Luiz. Ele fez questão de frisar que o conteúdo da defesa não foi analisado. O que está sob apuração é apenas o contrato de honorários no valor exato da transferência. Em outras palavras: a suspeita é de que Cléber tenha pago sua defesa inicial com dinheiro que deveria ser usado para despesas do condomínio que ele administrava.
E isso pode render mais dor de cabeça para o síndico. Os possíveis crimes patrimoniais cometidos durante sua gestão serão investigados em procedimento separado, conduzido pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) de Caldas Novas. O relatório policial que aponta a coincidência entre o valor do contrato e o Pix será analisado com lupa.
Enquanto isso, o crime que abalou a cidade continua repercutindo. Daiane Alves Souza desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025. Durante semanas, familiares e amigos viveram aquela angustia que ninguém merece passar. O corpo só foi localizado em 28 de janeiro, após o próprio Cléber indicar o local à polícia. Os restos mortais estavam em uma área de mata, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, no município de Ipameri, segundo informações divulgadas pela TV Anhanguera.
A prisão de Cléber e do filho aconteceu no prédio onde Daiane foi vista pela última vez. Ele confessou o crime, mas até agora não explicou de forma clara como tirou a vida da corretora. Esse silêncio sobre os detalhes mais brutais ainda revolta muita gente.
Durante as buscas no edifício, a polícia encontrou o celular de Daiane escondido em uma tubulação de esgoto. Foi um dos pontos que reforçaram a tese de premeditação. O delegado João Paulo destacou que o crime foi cometido mediante emboscada, o que indica planejamento e frieza.
As investigações também revelaram um histórico de conflitos entre Cléber e Daiane. A discussão girava em torno da administração de seis apartamentos pertencentes à família dela. Antes, os imóveis eram geridos pelo síndico. Quando a família decidiu passar a responsabilidade para Daiane, começaram os atritos. Segundo a polícia, houve denúncias de perseguição.
Quem acompanha o caso nas redes sociais sabe que a repercussão é enorme. Em um momento em que o país debate segurança, violência contra a mulher e transparência na gestão condominial, a história ganha ainda mais peso. É mais um daqueles casos que parecem roteiro de série policial, mas infelizmente são reais.
Agora, além de responder pelo assassinato, Cléber pode enfrentar acusações relacionadas ao uso indevido de recursos do condomínio. A investigação segue, e a cada nova revelação, a sensação é de que ainda há muita coisa para vir à tona.