A Complexa História do Assassinato de Marielle Franco: O Julgamento Chega ao STF
O assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro, provocou uma onda de indignação e protestos em todo o Brasil. Essa tragédia, que abalou a sociedade brasileira, resultou em uma investigação que atravessou diferentes esferas da Justiça e, após oito anos, finalmente chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O Crime e suas Consequências
A noite fatídica em que Marielle e Anderson foram assassinados ocorreu logo após a parlamentar deixar um evento na Lapa. O veículo em que eles estavam foi alvo de vários disparos, deixando a comunidade em choque. A única sobrevivente do ataque, a assessora Fernanda Chaves, teve a coragem de relatar os acontecimentos, mas a dor pela perda de Marielle e Anderson ecoa até hoje.
Investigações e Prisões
Em março de 2019, a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro iniciaram a Operação Lume, que culminou na prisão de dois homens: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial Élcio de Queiroz. As investigações apontaram Lessa como o autor dos disparos fatais, enquanto Queiroz foi identificado como o motorista do carro utilizado na emboscada.
Em 2024, ambos foram condenados pelo Tribunal do Júri, recebendo penas severas: Lessa, 78 anos e 9 meses, e Queiroz, 59 anos e 8 meses. O que chocou ainda mais a sociedade foi o fato de que ambos confessaram sua participação no crime, após firmarem acordos de delação premiada, que trouxeram novos elementos às investigações.
Delações e Revelações Impactantes
As delações não só ajudaram a condenar os executores, mas também abriram caminho para novas investigações que direcionaram o foco para os mandantes do atentado. Em 2023, Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa revelaram informações que implicavam autoridades públicas, sugerindo um esquema muito mais profundo e complexo. O crime, segundo as delações, estava ligado à regularização de terras em áreas dominadas por milícias na Zona Oeste do Rio, e Marielle era vista como um obstáculo a esses interesses.
Os depoimentos trouxeram à tona a promessa de pagamento em terrenos avaliados em aproximadamente US$ 10 milhões, evidenciando a gravidade da situação.
O Caso Chega ao STF
Com a entrada da Polícia Federal no caso em 2023, o processo ganhou um novo impulso, embora não tenha sido formalmente federalizado. A colaboração entre a PF e o Ministério Público foi crucial para destravar o inquérito, permitindo que as delações premiadas avançassem e revelassem ainda mais informações sobre o envolvimento de figuras influentes.
Em 2024, a investigação subiu para o STF após o suposto envolvimento de Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, que na época era deputado federal. Este fato trouxe à tona a discussão sobre o foro privilegiado, que determina que alguns casos sejam julgados em tribunais superiores devido ao cargo ocupado pelos acusados.
O Julgamento no STF
O caso está sendo julgado pela Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros. Entre eles, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e outros ministros como Flávio Dino e Cármen Lúcia. É importante notar que, para que haja uma condenação, são necessários pelo menos três votos favoráveis. Além dos irmãos Brazão, outros réus incluem:
- Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, acusado de acobertar o atentado.
- Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar, que supostamente monitorava Marielle.
- Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, acusado de integrar a organização criminosa.
Todos os réus estão presos preventivamente e negam as acusações, alegando serem vítimas de injustiça. A sociedade aguarda ansiosamente o desfecho desse caso que representa uma luta por justiça e transparência no Brasil.
É imperativo que continuemos atentos a esse processo, não só pela memória de Marielle Franco, mas também pela esperança de que a justiça prevaleça e que crimes como esse não fiquem impunes.