A Polêmica em Torno do Assassinato de Marielle Franco
Na última terça-feira, 24 de outubro, a defesa de Rivaldo Barbosa, que já foi chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, trouxe à tona uma série de argumentações relevantes durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF). O foco dessa audiência foi a delação premiada de Ronnie Lessa, a qual a defesa classificou como meramente retórica e sem evidências concretas que ligassem Barbosa ao assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.
A Delação de Ronnie Lessa
Ronnie Lessa, que já foi condenado por ter efetuado os disparos que resultaram nas mortes de Marielle e Anderson, figura como um dos principais delatores do caso. Durante a sustentação oral, os advogados de Rivaldo argumentaram que as informações apresentadas por Lessa carecem de provas que efetivamente conectem o ex-chefe de polícia ao crime. Segundo a defesa, a narrativa construída contra Rivaldo é vazia e não se sustenta em fatos verificáveis.
Construção da Acusação
A defesa enfatizou que a acusação foi elaborada com base em suposições, sem a presença de provas concretas que possam corroborar a alegação de que Rivaldo tinha alguma relação com o assassinato. Os advogados destacaram que, ao longo do processo, a própria investigação reconheceu a dificuldade em estabelecer uma motivação clara para a suposta participação de Rivaldo no caso. Esse ponto é crucial, uma vez que a falta de um motivo convincente fragiliza a acusação.
Corrupção e Provas
Um ponto de destaque nas argumentações da defesa foi a questão da corrupção. Os advogados de Rivaldo argumentaram que a simples suposição de que o delegado seria corrupto e estaria vinculado a organizações criminosas não é suficiente para justificar a acusação. “Corrupção, ministro Alexandre de Moraes, não se presume. Corrupção se prova”, afirmaram os defensores, dirigindo-se ao relator do caso. Essa afirmação ressoa com a ideia de que, na justiça, é preciso que se apresentem evidências concretas, e não meras suposições.
A Investigação e a Falta de Provas
- Vários inquéritos foram realizados.
- Numerosas operações foram deflagradas.
- Dezenas de pessoas foram presas ao longo do processo.
A defesa também ressaltou que, mesmo com a extensa investigação e acompanhamento por diversos órgãos, não foi encontrada uma única evidência que pudesse incriminar Rivaldo. Essa conclusão, segundo eles, reforça a ideia de que a acusação não tem fundamento. “Houve vários inquéritos, e não encontraram uma única pessoa que diga que Rivaldo é corrupto”, enfatizaram os advogados, sublinhando a fragilidade da acusação.
Posse de Rivaldo e a Lógica da Acusação
Outro aspecto que a defesa trouxe à tona foi o fato de Rivaldo ter assumido o cargo de chefe da Polícia Civil pouco antes do assassinato. Os advogados argumentaram que não faz sentido que um plano supostamente elaborado meses antes dependesse da aprovação de alguém que chegou ao cargo na véspera do crime, especialmente sem um vínculo demonstrável com as decisões que levaram ao assassinato. “Esse elo é retórica, não é lógica”, afirmaram.
Fatos Finais e Acusações
O julgamento dos cinco acusados de serem os mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes começou na mesma data, oito anos após o crime. A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a condenação dos acusados por organização criminosa, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio. Entre os acusados estão nomes conhecidos como Domingos Brazão, ex-conselheiro afastado do TCE-RJ, e o ex-deputado federal João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão.
Este caso continua a ser um tema de grande discussão e interesse público, com muitas questões ainda sem resposta e uma busca incessante por justiça. A defesa de Rivaldo Barbosa defende que, sem provas concretas, a denúncia deve ser considerada improcedente. Agora, resta aguardar o desfecho desse complexo processo judicial.