A tragédia provocada pelas fortes chuvas na Zona da Mata Mineira não para de crescer. Subiu para 25 o número de mortos depois do temporal que castigou a região nos últimos dias. Só em Juiz de Fora foram confirmadas 18 vítimas. No município vizinho, Ubá, outras sete pessoas perderam a vida. E o que mais preocupa: ainda há 45 desaparecidos, segundo dados divulgados pela Defesa Civil nesta manhã.
O cenário é de dor e incerteza. Quem anda pelas ruas de Juiz de Fora percebe o clima pesado. Casas destruídas, muros no chão, carros virados. Em alguns bairros, a lama ainda cobre calçadas e invade o que restou das residências. É triste de ver. E não é exagero dizer isso.
De acordo com a prefeitura, 440 moradores ficaram desabrigados — pessoas que perderam praticamente tudo e agora dependem da ajuda pública e de doações. Outras 600 famílias foram orientadas a deixar suas casas por risco de deslizamento. Ao todo, 15 abrigos foram montados, a maioria em escolas municipais, que tiveram as aulas suspensas temporariamente. É uma situação delicada, complicada mesmo.
As autoridades também mapearam 24 ruas e uma avenida como áreas de risco iminente. Esses locais devem ser evacuados. A recomendação é clara: sair o quanto antes para evitar novas tragédias. Mas a gente sabe que não é simples assim. Tem gente que reluta em sair, com medo de saques ou de perder o pouco que sobrou.
Juiz de Fora registrou um número que chama atenção. Foram 584 milímetros de chuva acumulados só em fevereiro. É praticamente o dobro da média histórica para o mês. Um recorde que impressiona — e assusta. Especialistas apontam que eventos extremos têm sido cada vez mais frequentes, algo que também vem sendo debatido nacionalmente desde as enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado.
Em Ubá, a situação também é crítica. Bairros inteiros ficaram alagados. A água subiu rápido, segundo relatos de moradores, pegando muita gente de surpresa durante a madrugada. “Foi coisa de minutos”, contou um comerciante local, que viu sua loja ser tomada pela enxurrada.
As equipes de resgate seguem trabalhando sem parar. Bombeiros, voluntários e agentes da Defesa Civil percorrem áreas de mata e encostas na tentativa de localizar desaparecidos. O trabalho é difícil, porque o solo ainda está encharcado, instável. Qualquer passo em falso pode causar um novo deslizamento.
Enquanto isso, campanhas de arrecadação começam a se espalhar pelas redes sociais. Roupas, alimentos não perecíveis, água potável e produtos de higiene são as principais necessidades no momento. A solidariedade do mineiro aparece nessas horas, como sempre aparece.


O governador do estado esteve na região e prometeu apoio às famílias afetadas. Disse que recursos serão liberados para reconstrução e assistência emergencial. Mas a população quer mais do que promessa, quer ação rápida. E é compreensível.



É uma tragédia que marca o início de ano de forma dura. Fevereiro ainda nem terminou direito e já deixa um rastro de destruição na Zona da Mata. Fica a pergunta que muita gente faz: será que estamos preparados para lidar com eventos climáticos cada vez mais intensos? Talvez não como deveríamos.



Por ora, o que resta é prestar solidariedade às famílias que perderam entes queridos e torcer para que os desaparecidos sejam encontrados. E que a chuva, pelo menos, dê uma trégua. Porque a região, sinceramente, já sofreu demais.

