O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a movimentar as redes sociais nesta terça-feira (24) ao comentar uma reportagem publicada pelo site Metrópoles. Segundo a matéria, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria incinerado mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos hospitalares somente em 2025. O número, por si só, já chama atenção. Mas o debate ficou ainda mais intenso quando o parlamentar comparou os dados com a gestão anterior.
De acordo com a publicação repercutida por Nikolas, o total de produtos descartados nos últimos três anos chegaria à marca de R$ 2 bilhões. É muito dinheiro. Dinheiro público. Valor que, segundo ele, seria 3,3 vezes maior do que tudo o que foi registrado durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. A comparação, claro, acendeu a polarização que já faz parte do cenário político brasileiro praticamente todos os dias.
Nikolas usou suas redes sociais — onde soma milhões de seguidores e costuma engajar bastante — para criticar o que classificou como “descaso” com recursos da saúde. Ele afirmou que não se trata apenas de números frios em uma planilha, mas de medicamentos e vacinas que poderiam ter sido utilizados pela população. Em tempos em que o Brasil ainda enfrenta desafios na saúde pública, falar em desperdício causa revolta em muita gente.
O parlamentar anunciou que vai apresentar um Projeto de Lei com o objetivo de impor mais controle e transparência na gestão de estoques do sistema de saúde. A proposta, segundo ele, pretende criar mecanismos mais rígidos para evitar vencimentos de produtos armazenados e garantir fiscalização constante. Além disso, Nikolas protocolou um requerimento de informações direcionado ao Ministério da Saúde, cobrando explicações detalhadas sobre os descartes.
O assunto chega em um momento delicado. Hospitais públicos em diferentes estados seguem relatando falta de insumos básicos, enquanto filas para cirurgias eletivas continuam sendo motivo de queixa. Não é raro ver reportagens mostrando pacientes aguardando meses por procedimentos simples. Diante disso, a ideia de que milhões foram literalmente queimados — no caso, incinerados — acaba gerando indignação quase imediata.
Por outro lado, especialistas costumam lembrar que descartes de vacinas e medicamentos fazem parte da rotina administrativa quando há vencimento ou problemas logísticos. A questão central, no entanto, é o volume. Quando os números ultrapassam a casa dos bilhões em poucos anos, o debate deixa de ser técnico e passa a ser político. E político no Brasil, a gente sabe, vira embate em questão de minutos.
Nikolas Ferreira, que se consolidou como uma das vozes mais ativas da oposição ao governo Lula, tem apostado justamente nesse tipo de pauta para fortalecer seu discurso. Ele costuma misturar dados oficiais com críticas diretas e uma linguagem acessível, que conversa bem com seu público. Funciona. Basta olhar os comentários e compartilhamentos.
Em 2025, mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos hospitalares foram simplesmente incinerados. Sim, queimados pelo Governo Lula. Nos últimos três anos do atual Governo, o número chega a R$ 2 bilhões de reais, mais de 3,3 vezes de tudo o que foi descartado em… pic.twitter.com/Set5FP5nnE
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 24, 2026
Enquanto isso, o Ministério da Saúde ainda não havia se manifestado oficialmente até o fechamento desta apuração. A expectativa é de que a pasta esclareça se os valores citados correspondem integralmente a desperdício ou se incluem descartes considerados tecnicamente inevitáveis.
No meio dessa disputa de narrativas, quem acompanha de fora tenta entender onde está a verdade completa. O fato é que a cifra de R$ 108,4 milhões em 2025 — e os R$ 2 bilhões acumulados — não passam despercebidos. Em um país com tantas carências, qualquer centavo faz diferença. Imagine bilhões.
Agora resta saber se o Projeto de Lei terá avanço no Congresso e se as explicações solicitadas serão suficientes para acalmar os ânimos. Porque, no fim das contas, mais do que embate político, a população quer resposta clara. E, principalmente, quer que o dinheiro público seja bem cuidado.