Novo surto de gripe aviária atinge aves comerciais na Argentina e liga sinal vermelho

A notícia caiu como um balde de água fria no setor agropecuário argentino. O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar, o conhecido Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa), confirmou a detecção de um novo foco de gripe aviária de alta patogenicidade, subtipo H5, em aves de produção comercial na cidade de Ranchos, interior da província de Buenos Aires.

O diagnóstico foi validado pelo laboratório oficial do órgão, localizado em Martínez, depois que surgiram sinais clínicos compatíveis com a doença e uma mortandade considerada acima do normal em um estabelecimento dedicado à linhagem genética de reprodutores. Em outras palavras: as aves começaram a morrer em número preocupante e o alerta foi acionado quase que imediatamente.

Segundo o comunicado oficial, o Senasa ativou seu protocolo de contingência assim que o caso foi confirmado. A granja foi interditada sem rodeios. Criou-se uma zona de controle sanitário com raio de 3 quilômetros e uma área de vigilância que se estende por 7 km ao redor do foco. Técnicos e agentes sanitários agora acompanham de perto o processo de despovoamento do plantel, que inclui o abate sanitário das aves, além de uma desinfecção rigorosa das instalações. É um procedimento duro, mas considerado essencial para conter o vírus e evitar que ele se espalhe para outras propriedades.

O novo surto interrompe um período que vinha sendo tratado como de relativa tranquilidade. Em outubro de 2025, a Argentina havia se autodeclarado livre da doença perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), após encerrar um foco anterior registrado na cidade de Los Toldos. Naquele momento, o setor respirou aliviado. Produtores falavam em retomada de mercados e recuperação das exportações, especialmente depois de meses de restrições e prejuízos acumulados.

E é aí que mora a preocupação maior. O novo caso surge justamente semanas após o anúncio de que a União Europeia autorizaria a retomada das importações de carne de aves argentina a partir de 1º de março de 2026. Era visto como um passo importante para o comércio exterior do país, que depende fortemente do agronegócio. Agora, com esse novo foco, o cenário volta a ficar incerto.

O Senasa informou que comunicará oficialmente o caso à OMSA e que as exportações para países que mantêm acordos com a Argentina como nação livre da enfermidade serão temporariamente suspensas. No entanto, há uma brecha técnica: o país ainda pode negociar com mercados que reconhecem a estratégia de zoneamento sanitário e compartimentos livres da doença. Isso significa que nem tudo está perdido, mas o impacto comercial pode ser significativo, sim.

Vale lembrar que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne de frango ou ovos. Ou seja, para o consumidor comum, o risco é praticamente inexistente nesse sentido. Especialistas reforçam que o problema é sanitário e econômico, não alimentar. Mesmo assim, sempre surge aquele receio nas redes sociais, boatos e desinformação, algo que já vimos acontecer em outros episódios parecidos.

Se não forem registrados novos surtos, a Argentina poderá solicitar novamente o status de país livre da doença 28 dias após a conclusão das medidas de sacrifício e limpeza. Parece pouco tempo, mas no ritmo acelerado do mercado internacional, quatro semanas podem pesar bastante.

No fim das contas, o episódio reacende um alerta que nunca deveria ser ignorado: a vigilância sanitária precisa ser constante. Um descuido, um foco isolado, e todo um planejamento de meses — às vezes anos — pode ir por água abaixo. E o campo, que já enfrenta desafios climáticos, alta de custos e instabilidade cambial, ganha mais uma dor de cabeça para administrar.



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