O caso da jovem Vitória Regina pode estar prestes a virar do avesso. E não é exagero dizer isso. Um ano depois do crime que abalou a rotina tranquila de Cajamar, surge uma denúncia que coloca fogo em tudo que parecia já estar resolvido.
Pra quem não lembra — ou achou que a história tinha terminado — vale recapitular.
Vitória Regina tinha 17 anos. Trabalhava, fazia planos, vivia aquela fase cheia de sonhos e incertezas. Em fevereiro de 2025, depois de sair do trabalho, ela simplesmente desapareceu. Antes de sumir, mandou mensagem dizendo que estava sendo seguida por dois homens. A mensagem, curta e desesperada, virou praticamente um presságio.
Nove dias depois, o corpo foi encontrado em uma área de mata. A cidade parou. O clima era de revolta, medo e tristeza. Muita gente ainda comenta que naquela semana ninguém dormiu direito por lá.
A polícia prendeu Maicol Sales dos Santos como único suspeito. Segundo a investigação, havia vestígios de sangue no carro e na casa dele. Fotos da vítima teriam sido encontradas no celular. E ele chegou a confessar o crime.
Parecia um caso fechado.
Mas aí veio a reviravolta. A confissão foi anulada pela Justiça sob suspeita de coação. Ou seja, levantou-se a dúvida: ele confessou por vontade própria ou foi pressionado?
E quando parecia que já tinha polêmica suficiente, surge agora uma denúncia ainda mais grave.
Um perito que atuou no caso afirma que sofreu pressão para manipular laudos. Sim, manipular. Segundo ele, tentaram forçar a inclusão de informações que não condiziam com o que havia sido encontrado. Ele diz que se recusou. E depois disso, acabou afastado.
O perito afirma também que aplicou luminol na casa do suspeito e não encontrou sangue humano. Mesmo assim, o nome dele teria sido incluído indevidamente em um laudo que apontava vestígios. No dia seguinte, outra equipe entrou na residência e afirmou ter encontrado provas.
Coincidência? Falha técnica? Ou algo mais sério?
É aqui que a história deixa de ser apenas sobre um crime brutal e passa a ser sobre a credibilidade da investigação. Porque se houve pressão para forjar documentos, estamos falando de algo gravíssimo. Muito além de um erro procedural.
Por outro lado, se não houve qualquer irregularidade, isso também precisa ser esclarecido com total transparência. A Secretaria de Segurança afirma que o inquérito foi conduzido com rigor. Mas a essa altura, convenhamos, só dizer isso já não basta.
A população quer respostas claras. A família quer justiça. E o suspeito aguarda julgamento enquanto novas dúvidas aparecem.
Eu, particularmente, fico pensando como é frágil a linha entre verdade e versão oficial. A gente confia que as instituições funcionam, que os laudos são técnicos, imparciais. Mas quando surge a palavra “pressão” no meio disso tudo, é impossivel não sentir um arrepio.
Uma jovem perdeu a vida. Isso é fato. Uma família teve os sonhos interrompidos da pior forma possível. Isso não muda. Mas a pergunta que ecoa agora é outra: a investigação foi conduzida da maneira correta?
Se houve manipulação, alguém precisa responder por isso. Se não houve, que se prove de forma incontestável.
Porque justiça não pode ser baseada em dúvida. Nem em atalhos. O caso Vitória, que parecia encerrado, volta ao centro do debate. E talvez ainda esteja longe de um ponto final.