“Queima de arquivo; peitou a milícia”: as frases de Moraes no caso Marielle

O Julgamento que Marcou a História do Brasil

No dia 25 de outubro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal (STF), fez história ao votar pela condenação dos cinco réus acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 2018. O julgamento, que ocorre quase oito anos após os trágicos eventos, foi realizado na Primeira Turma da Corte e trouxe à tona questões profundas que vão além do crime em si.

A Conexão com as Milícias

Durante seu voto, Moraes ressaltou a ligação dos réus com milícias no Rio de Janeiro, além de mencionar conflitos políticos que Marielle enfrentou, tornando-se alvo por suas opiniões e ações. Ele destacou que a Procuradoria Geral da República (PGR) indicou que o envolvimento com milícias foi uma motivação central para o crime, mostrando como a política e a criminalidade se entrelaçam em contextos como este.

O Voto de Moraes

Alexandre de Moraes foi o primeiro a expressar seu voto, e seu discurso foi contundente. Dentre os pontos mais impactantes, ele afirmou que o policial militar Edmilson da Silva de Oliveira, conhecido como Macalé, foi assassinado em uma “queima de arquivo”. Em 2023, o ex-policial Élcio Queiroz revelou em uma delação que Macalé repassou a missão de matar Marielle para Ronnie Lessa no final de 2017. Essa revelação traz à tona a complexidade e a brutalidade do crime.

A Questão da Queima de Arquivo

O ministro não poupou palavras ao descrever a morte de Macalé. Ele enfatizou que não se tratou de um acidente ou um mal-entendido, mas de um assassinato executado com frieza. “Foi executado em clara demonstração de queima de arquivo, clássica, histórica e tradicional de organizações criminosas”, declarou Moraes. Essa afirmação revela não apenas a gravidade do caso, mas também como a violência se perpetua em ciclos de impunidade.

Marielle como um Símbolo de Resistência

Moraes também trouxe à tona a figura de Marielle como uma mulher negra e pobre que desafiou os interesses de grupos milicianos. “Ela era uma mulher que estava peitando os interesses de milicianos”, disse. Essa declaração não apenas reafirma a coragem de Marielle, mas também destaca a importância de sua luta por justiça e igualdade, mostrando como sua morte foi um ataque não só a uma pessoa, mas a um movimento maior.

Racismo e Misoginia

O ministro apontou que a misoginia e o racismo estavam no cerne do crime e que isso permitiu que os mandantes se sentissem à vontade para agir sem medo das consequências. “Na cabeça misógina e preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso?”, questionou Moraes, mostrando a necessidade de se discutir essas questões na sociedade.

A Vergonha da Polícia

Um dos momentos mais chocantes do voto de Moraes foi quando ele afirmou que o caso representa uma “vergonha” para a Polícia. Entre os réus estão ex-policiais, como o major Ronald Paulo Alves Pereira e o ex-chefe da Polícia do Rio, Rivaldo Barbosa. Moraes mencionou que Rivaldo recebia propina de várias milícias, levantando questões sobre a corrupção dentro das forças policiais.

Avanços na Legislação

Por fim, o ministro celebrou a aprovação do PL Antifacção na Câmara dos Deputados, mesmo reconhecendo suas desvantagens. Ele enfatizou a importância de se dar mais infraestrutura para a polícia, afirmando que a luta contra o crime organizado não pode depender apenas da legislação. Moraes, que antes de assumir sua posição no STF foi secretário de Segurança Pública em São Paulo, expressou sua admiração pelas corporações policiais e a necessidade de dar a elas o reconhecimento que merecem.

Conclusão

O voto de Alexandre de Moraes no caso Marielle Franco não é apenas um momento jurídico, mas uma reflexão sobre os desafios da sociedade brasileira em lidar com a corrupção, o racismo e a misoginia. A luta por justiça continua, e a memória de Marielle é um símbolo de resistência e esperança.



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