Mel Lisboa revela ter contraído IST após traições do ex-namorado

Aos 44 anos, Mel Lisboa resolveu olhar para trás e mexer numa parte da própria história que, segundo ela, ficou guardada por muito tempo. Em uma entrevista recente ao podcast Você Não Sabe o Que Eu Sofri, a atriz falou abertamente sobre o relacionamento abusivo que viveu ainda na adolescência. Não foi um namoro qualquer. Foi daqueles que deixam marcas — algumas invisíveis, outras bem reais.

Ela contou que tinha só 15 anos quando tudo aconteceu. Era jovem, apaixonada, cheia de sonhos e, como muita gente nessa idade, achava que dava conta de tudo. Mas não dava. O relacionamento era conturbado, cheio de traições e situações que hoje ela reconhece como violência emocional. Na época, porém, era difícil enxergar assim.

Mel lembrou de um conselho da mãe, algo que parece simples, mas que carrega um peso enorme: preservar a liberdade. A mãe dizia que ela podia fazer qualquer coisa na vida, menos abrir mão da própria liberdade. E liberdade, como a atriz percebeu depois, tem tudo a ver com segurança, com estar viva. Ela chegou a citar que só mais tarde entendeu os riscos reais que corria — inclusive de feminicídio — por conta da agressividade do namorado, da proximidade com armas e de comportamentos que, hoje, são alarmantes.

No meio desse turbilhão, veio a descoberta que mudaria tudo. Em uma consulta ginecológica de rotina, recebeu o diagnóstico de HPV, uma infecção sexualmente transmissível. Já estava em estágio avançado. Ela descreve o momento como um choque, aquele tipo de notícia que faz a cabeça girar e o chão sumir. A médica perguntou se ela tinha outros parceiros. Não tinha. Então veio a orientação direta: era preciso conversar com o namorado, porque ele também precisava se tratar.

Foi aí que a realidade bateu mais forte. Ao confrontá-lo, ouviu a negação clássica: ele disse que não tinha transmitido nada, insinuou que talvez fosse culpa dela. Uma tentativa clara de inverter a situação. Mesmo assim, Mel disse que começou o tratamento e insistiu para que ele fizesse o mesmo. Mas o desgaste já era grande demais.

As traições eram constantes. Algumas ela sabia, outras fingia não saber — talvez por medo, talvez por dependência emocional, talvez por imaturidade. Naquele tempo nem existia celular como hoje, então as histórias chegavam por amigas que viam o rapaz em festas e shows enquanto ele dizia que estava em casa. Era um ciclo repetitivo, cansativo, quase humilhante. E ela ali, presa.

Até que um dia algo rompeu. Depois de mais uma mentira envolvendo uma saída para um show, Mel perdeu o controle. Foi até a casa dele, gritou, jogou objetos pela janela. Uma cena intensa, quase cinematográfica, mas muito real. E foi justamente ali, no meio do caos, que aconteceu o estalo. Ela voltou para casa diferente. Sentiu uma euforia que descreve como libertadora, quase como uma droga — mas uma droga boa, dessas que acordam a gente pra vida.

Com o tempo, veio outra ficha caindo. Não foi apenas a traição que motivou o fim. Foi perceber que a própria vida estava em risco. O HPV, felizmente, teve tratamento e cura no caso dela. Mas poderia ter evoluído para algo muito mais grave, como um câncer. E ela era só uma menina de 15 anos.

Hoje, mais madura, Mel enxerga aquele momento como um divisor de águas. Um marco de sobrevivência e crescimento. Ela, que atualmente é mãe de Bernardo e Clarice — frutos do antigo casamento com Felipe Rosseno, encerrado em 2023 —, fala com outra consciência. Não é só sobre um namoro adolescente que deu errado. É sobre entender limites, reconhecer abusos e, principalmente, escolher a própria liberdade.

Talvez não tenha sido fácil revisitar essa história. Dá pra perceber que ainda existe emoção ali, uma memória viva. Mas ao compartilhar, ela joga luz num tema que continua urgente. Em tempos em que tantas mulheres ainda enfrentam relacionamentos abusivos, ouvir relatos assim ajuda a quebrar o silêncio.

E no fim das contas, fica aquela frase da mãe ecoando. Preservar a liberdade. Parece simples, mas não é. Às vezes, é a decisão mais difícil — e a mais necessária também.



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