Unicef: Tecnologia facilita abuso sexual de 1 em cada 5 crianças no Brasil

Alarmante: 1 em Cada 5 Jovens no Brasil Sofre Violência Sexual Facilitada pela Tecnologia

Recentemente, um estudo chocante apontou que uma em cada cinco crianças e adolescentes no Brasil já foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia. Isso se traduz em cerca de 3 milhões de meninos e meninas que, infelizmente, enfrentam a violência sexual online. Esse dado alarmante faz parte do relatório intitulado “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia”, que foi lançado na quarta-feira (4) pelo Unicef, em parceria com a ECPAT International e a Interpol, com o apoio financeiro da Safe Online.

O Impacto das Tecnologias na Violência Sexual

A pesquisa reúne uma série de evidências que mostram como as tecnologias digitais, como redes sociais, jogos online e plataformas de mensagens, têm facilitado esse tipo de violência. Uma das descobertas mais preocupantes é que a exposição a conteúdo sexual não solicitado é a forma mais comum de violência, afetando 14% das crianças e adolescentes entrevistados. O estudo também revela que, em 49% dos casos, a exploração ou abuso foi cometido por alguém que a vítima conhecia, o que torna a situação ainda mais complexa, já que muitas vítimas não se sentem à vontade para buscar ajuda. De fato, 34% das crianças e adolescentes não contaram a ninguém sobre o que enfrentaram.

Complexidade e Riscos Envolvidos

Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, destaca que o risco de violência está presente tanto nas interações online quanto nas relações do cotidiano. Isso evidencia a complexidade desse tipo de violência, que muitas vezes envolve laços de confiança e dependência emocional com o agressor. De acordo com Mark Beavan, chefe da Unidade de Crimes contra Crianças da Interpol, esse estudo incentiva uma resposta nacional mais robusta e coordenada para enfrentar a exploração e o abuso sexual infantil facilitados pela tecnologia.

Recomendações para Combater a Violência

O relatório recomenda que a resposta a esses crimes seja integrada entre governo, justiça, escolas, famílias e plataformas digitais. Algumas das medidas sugeridas incluem:

  • Atualização das leis de proteção aos menores.
  • Fortalecimento da educação sobre consentimento e direitos.
  • Ampliação dos canais de denúncia disponíveis para a sociedade.

Onde e Como Ocorre a Violência

De acordo com a pesquisa, 66% dos relatos de violência ocorreram em redes sociais, enquanto 64% foram em aplicativos de mensagens instantâneas e 12% em jogos online. Aplicativos como Instagram (59%) e WhatsApp (51%) se destacam como os mais utilizados pelos agressores. É alarmante notar que, em quase metade dos casos (49%), o agressor era alguém conhecido da vítima. Além disso, 26% das situações envolveram desconhecidos, e 25% não puderam identificar o agressor, o que indica as dificuldades para denunciar, especialmente em casos que envolvem pessoas próximas.

Uso da Inteligência Artificial nas Abusos

Outro fato preocupante é o uso de inteligência artificial generativa para criar material de abuso sexual contra crianças. Em um período de apenas 12 meses, 3% das crianças e adolescentes entrevistados relataram que alguém usou IA para criar imagens ou vídeos de conteúdo sexual utilizando sua aparência. Isso mostra que a tecnologia pode ser utilizada de maneiras extremamente prejudiciais.

O Impacto da Violência nas Vítimas

O Unicef destaca que as consequências para as crianças e adolescentes que sofrem violência facilitada pela tecnologia são profundas e duradouras. Esses jovens enfrentam sérios problemas de saúde mental, física e emocional, além de dificuldades em sua trajetória educacional. Em mais de um terço dos casos (34%), as vítimas não compartilharam suas experiências com ninguém. Quando decidem falar, muitas vezes é com amigos próximos (22%).

Barreiras para a Denúncia

Um dos principais motivos para o silêncio é a falta de informação sobre onde buscar ajuda (22%). O constrangimento e o medo de não serem acreditadas também são barreiras significativas. A pesquisa revelou que 18% das vítimas não sabiam como denunciar e 17% relataram ter sido ameaçadas pelo agressor.

Metodologia da Pesquisa

A pesquisa entrevistou 1.029 crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, além de 1.029 pais e responsáveis, em visitas domiciliares realizadas entre novembro de 2024 e março de 2025. As perguntas consideraram as experiências vividas nos 12 meses anteriores à participação na pesquisa.

É fundamental que a sociedade se una para combater essa triste realidade e proteger nossas crianças e adolescentes. O conhecimento e a informação são os primeiros passos para a mudança. Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação semelhante, não hesite em buscar ajuda.



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