O banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido por ser dono do Banco Master, apareceu recentemente em fotos que chamaram bastante atenção. As imagens, divulgadas com exclusividade pelo portal Metrópoles, mostram o empresário já dentro do sistema prisional, com visual diferente do que o público estava acostumado a ver. Nas fotos, Vorcaro surge com barba e bigode bem aparados — algo que, segundo relatos, faz parte dos procedimentos feitos logo após a chegada de um detento à prisão.
As imagens foram registradas no Complexo Penal II de Guarulhos, localizado na região metropolitana de São Paulo, e foram produzidas pela Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo. Como acontece com qualquer pessoa que entra no sistema carcerário, o banqueiro passou por uma série de procedimentos considerados padrão. Entre eles, a retirada da barba e do bigode, além da troca das roupas que usava no momento da prisão pelo uniforme do presídio.
Esse uniforme, aliás, é bem simples: camiseta branca e uma calça bege, padrão usado pelos detentos da unidade. Segundo fontes ligadas ao sistema prisional, essas etapas fazem parte da chamada “triagem”, quando o preso é oficialmente incluído no sistema e passa por registro, identificação e avaliação inicial.
Um detalhe curioso é que, embora muitas pessoas imaginem que todos os presos tenham o cabelo raspado obrigatoriamente, isso não é exatamente uma regra. O corte de cabelo até acontece com frequência, mas não é uma exigência formal. Já a barba, essa sim precisa ser removida.
Quem explicou melhor essa rotina foi Fabio Jabá, presidente do Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo. Em conversa com a reportagem, ele contou que a raspagem da barba é obrigatória por questões de higiene e padronização dentro das unidades. O cabelo, por outro lado, acaba sendo raspado muitas vezes por escolha do próprio preso.
“Muitos detentos pedem pra raspar o cabelo logo que entram, principalmente por medo de pegar sarna ou até piolho”, comentou Jabá. Pode parecer estranho para quem vê de fora, mas dentro de presídios essa preocupação é bastante comum.
A prisão de Vorcaro aconteceu na última quarta-feira, dia 4 de março, durante uma ação da Polícia Federal. A operação faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo a gestão do Banco Master. Segundo as autoridades, existe a suspeita de um rombo que poderia chegar a impressionantes R$ 40 bilhões no sistema financeiro.
O banqueiro foi detido em sua própria casa, localizada no bairro dos Jardins — uma das regiões mais valorizadas da capital paulista. Após a prisão, ele foi levado para a sede da Polícia Federal em São Paulo, onde também acabou se apresentando o pastor Fabiano Zettel, apontado como cunhado de Vorcaro e, segundo os investigadores, uma das peças centrais do esquema investigado.
Depois dos procedimentos iniciais na PF, os dois foram encaminhados ao fórum da Justiça Federal para participar da audiência de custódia. Esse tipo de audiência serve justamente para avaliar se a prisão foi realizada dentro da lei e se o suspeito deve continuar preso ou responder em liberdade.
No caso deles, a decisão foi manter a prisão preventiva. O pedido havia sido feito pela Polícia Federal e autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Mendonça assumiu a relatoria do caso após ser apontada uma proximidade entre Dias Toffoli e alguns dos investigados.
Depois da audiência, Vorcaro e Zettel foram levados ao Complexo Penal II de Guarulhos no fim da tarde da quarta-feira. O transporte aconteceu em um carro funcional da Polícia Federal, daqueles com grades nas janelas. Para evitar imagens da imprensa, os dois chegaram ao presídio com o rosto coberto por camisetas, praticamente “encapuzados”.
Mas a passagem deles por Guarulhos durou pouco. Já no dia seguinte, quinta-feira, os dois foram transferidos para a Penitenciária de Potim, no interior paulista, na região do Vale do Paraíba.
E a movimentação não parou por aí. Nesta sexta-feira, 6 de março, Daniel Vorcaro deixou novamente o sistema prisional de São Paulo. Desta vez, ele foi levado sozinho para um presídio federal em Brasília, onde deverá permanecer enquanto as investigações continuam.
O caso ainda está longe de terminar — e, pelo que tudo indica, novos desdobramentos devem aparecer nos próximos dias. Nos bastidores da política e do mercado financeiro, o assunto já virou um dos mais comentados da semana.