A Justiça do Rio de Janeiro tomou uma decisão que voltou a colocar o nome do ex-goleiro Bruno Fernandes no centro das manchetes. Nesta quinta-feira, dia 5 de março, a Vara de Execuções Penais determinou a revogação do livramento condicional que havia sido concedido a ele há pouco tempo. Além disso, foi expedido um mandado de prisão para que o ex-jogador passe a cumprir a pena em regime semiaberto.
Bruno, que hoje tem 41 anos, foi condenado a 23 anos de prisão pelo assassinato da modelo Eliza Samudio, um dos crimes mais chocantes do país na última década. O caso aconteceu em 2010 e, desde então, segue sendo lembrado sempre que há algum novo desdobramento judicial envolvendo o ex-atleta.
Segundo informações do processo, a decisão da Justiça tem validade de até 16 anos. O motivo principal para a revogação do benefício foi o descumprimento de algumas regras impostas quando o livramento condicional foi autorizado. Em outras palavras, Bruno teria quebrado as condições que precisava seguir para continuar fora da prisão.
De acordo com o entendimento do Judiciário, o ex-goleiro deixou o estado do Rio de Janeiro sem pedir autorização prévia. A viagem teria acontecido no dia 15 de fevereiro, quando ele seguiu para o Acre. O detalhe é que a autorização judicial era obrigatória antes de qualquer deslocamento para outro estado, o que não teria ocorrido.
Essa atitude acabou pesando bastante na decisão do juiz responsável pelo caso, Rafael Estrela Nóbrega. Na decisão, ele foi direto ao dizer que a conduta demonstrou desrespeito às regras estabelecidas.
Segundo o magistrado, o comportamento do apenado indicou certo descaso com o benefício que havia recebido poucos dias antes. Em um trecho da decisão, o juiz destacou que apenas quatro dias após conseguir o livramento condicional, Bruno já teria descumprido uma das exigências impostas pela Justiça.
Ou seja, na visão do tribunal, o benefício acabou sendo utilizado de forma inadequada. Isso pesou muito para que a medida fosse revista rapidamente.
Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi a movimentação do ex-jogador nas redes sociais. No fim de janeiro, ele publicou imagens durante uma visita ao Maracanã, um dos estádios mais conhecidos do Brasil. Nas fotos, Bruno aparecia comemorando o retorno ao local onde viveu momentos importantes da carreira.
A publicação gerou comentários e também acabou sendo analisada dentro do processo. Entre as regras estabelecidas pela Justiça estava o recolhimento obrigatório durante o período da noite, algo que também passou a ser observado com mais atenção depois da repercussão das imagens.
Durante a semana, o Ministério Público do Rio de Janeiro já havia se manifestado sobre o caso. O órgão pediu que Bruno voltasse ao regime fechado, alegando que as irregularidades cometidas eram suficientes para endurecer novamente o cumprimento da pena.
A Justiça, porém, decidiu por uma medida intermediária. Em vez de determinar o retorno imediato ao regime fechado, optou por cancelar o livramento condicional e estabelecer que o ex-goleiro cumpra a pena em regime semiaberto.
Na prática, isso significa que ele pode até receber autorização para trabalhar fora durante o dia, dependendo de decisões futuras da Justiça. Mas terá que permanecer recolhido em uma unidade prisional durante a noite e também em outros horários definidos pelas autoridades.
O caso segue chamando bastante atenção do público. Afinal, mesmo passados tantos anos do crime que chocou o Brasil, qualquer movimentação envolvendo o nome de Bruno ainda provoca forte repercussão — seja na imprensa, nas redes sociais ou nas rodas de conversa por aí. E, pelo visto, essa história ainda deve render novos capítulos.