O pastor Silas Malafaia voltou a fazer duras críticas ao ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que o magistrado votou para que o líder evangélico se torne réu em um processo que corre na Corte. A reação do pastor veio em forma de vídeo publicado nesta segunda-feira (9) nas redes sociais, onde ele não poupou palavras e classificou a decisão como uma grande “safadeza”, além de chamar o caso de perseguição política.
No vídeo, que rapidamente começou a circular entre seguidores e páginas de política, Malafaia aparece visivelmente irritado. Em tom forte, disse que a situação representa uma afronta à Constituição e também um tipo de injustiça contra ele. Segundo o pastor, a acusação não se sustenta porque, de acordo com sua versão, ele jamais citou diretamente o nome de nenhum general do Exército brasileiro.
O caso ganhou repercussão depois que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia contra o religioso. A acusação envolve supostos crimes de calúnia e injúria contra generais de quatro estrelas que fazem parte do Alto Comando do Exército. A denúncia foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e acabou chegando ao STF.
Mas Malafaia não aceitou isso com tranquilidade, nem um pouco. No vídeo ele relembra uma fala feita durante uma manifestação política realizada no ano passado na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo ele, naquela ocasião apenas criticou, de forma geral, os generais de quatro estrelas do Exército.
De acordo com o pastor, sua fala foi a seguinte: que os generais teriam sido “frouxos e covardes” por, na visão dele, terem sido omissos em relação à prisão do general Walter Braga Netto. Mesmo assim, Malafaia insiste que não mencionou nomes específicos e que sua crítica foi genérica.
E é justamente aí que ele diz enxergar um problema. Para o líder religioso, se existe uma queixa por injúria ou difamação, o processo deveria seguir para a primeira instância da Justiça, e não diretamente para o STF. Ele argumenta que não possui foro privilegiado e portanto, na opinião dele, o caso não deveria estar sendo analisado pela Suprema Corte.
Durante a gravação, Malafaia também direcionou críticas duras ao procurador-geral Paulo Gonet, a quem chamou de “capacho” de Alexandre de Moraes. O pastor afirmou ainda que, na visão dele, o procurador estaria manchando a imagem do Ministério Público ao levar o caso dessa forma para o Supremo.
Outro ponto que ele questionou foi a ligação do episódio com o chamado inquérito das fake news, investigação que está sob relatoria de Moraes no STF. Esse inquérito existe desde 2019 e, ao longo dos anos, já foi alvo de intensos debates no meio político e jurídico do país.
Malafaia diz não entender qual seria a conexão entre sua fala em uma manifestação pública e esse inquérito. Para ele, são coisas completamente diferentes. Segundo suas palavras, a crítica feita durante o ato político estaria dentro do campo da liberdade de expressão.
No vídeo, o pastor repete várias vezes que falou de maneira genérica, sem apontar nomes ou cargos específicos. Ele afirma que a denúncia teria interpretado sua fala como se tivesse sido dirigida diretamente ao comandante do Exército, algo que ele nega com veemência.
No final da gravação, Malafaia ainda comentou que, na visão dele, o ministro Alexandre de Moraes não deveria estar julgando o caso neste momento. O pastor citou, de forma breve, a ligação do magistrado com discussões envolvendo o chamado caso Master, dizendo que tudo isso cria um “furacão” político em volta da situação.
A polêmica, claro, continua rendendo debate nas redes sociais e também entre analistas políticos. Enquanto apoiadores do pastor defendem que ele apenas exerceu sua liberdade de opinião, críticos afirmam que ataques a instituições e autoridades podem ultrapassar limites legais.
E assim a discussão segue, esquentando ainda mais o clima político do país, que já anda meio tenso desde o ano passado. Afinal, quando política, Justiça e redes sociais se misturam… quase sempre vira um barril de pólvora.