Esses são os sinais que o corpo dá antes de ter um infarto, aponta cardiologista

O infarto continua sendo uma das maiores causas de morte no Brasil — na verdade, a principal. E isso não é exagero. O problema acontece quando uma artéria do coração fica bloqueada por um coágulo. Quando isso ocorre, o sangue simplesmente para de circular naquela parte do coração. Sem sangue e sem oxigênio, o músculo cardíaco começa a sofrer danos em questão de minutos. É algo sério, rápido e, muitas vezes, silencioso.

Muita gente acha que o infarto aparece do nada, como se fosse um susto repentino. Mas a realidade não é bem assim. Em muitos casos o corpo já vinha avisando antes. Mais da metade dos pacientes dizem que sentiram algum tipo de sintoma dias ou até semanas antes do episódio mais grave. O problema é que muita gente ignora. Tem gente que acha que é só estresse do trabalho, ansiedade, cansaço acumulado… ou até uma simples dor no estômago.

E é aí que mora o perigo.

Reconhecer os sinais de alerta pode literalmente salvar uma vida. Quanto mais rápido a pessoa procura ajuda médica, maiores são as chances de evitar danos graves ao coração.

O sintoma mais conhecido — e talvez o mais clássico — é a dor no peito. Geralmente ela aparece no centro do tórax e pode ser descrita como uma pressão, um aperto forte ou uma sensação de peso. Algumas pessoas dizem que parece que tem algo esmagando o peito. Esse desconforto costuma durar mais de 15 ou 20 minutos e normalmente não melhora com repouso. Isso é um sinal importante de atenção.

Outro ponto que muita gente não sabe: essa dor pode se espalhar. Ela não fica só no peito. Pode irradiar para o braço esquerdo, para os dois braços, para a mandíbula, pescoço, ombros e até para as costas. Em alguns casos a pessoa sente até uma dor estranha no maxilar ou nos dentes e nem imagina que pode ter relação com o coração.

Isso acontece porque o coração compartilha algumas vias nervosas com outras partes do corpo. Ou seja, o cérebro às vezes “interpreta” a dor como se ela estivesse vindo de outro lugar.

Segundo a cardiologista intervencionista Denise Pellegrini, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, o organismo costuma dar sinais antes de um infarto mais grave acontecer. Muitas vezes esses sinais são confundidos com outras coisas bem mais simples.

Outro sintoma bastante comum é a falta de ar. E ela pode aparecer mesmo sem aquela dor forte no peito. Em algumas situações, inclusive, esse é o único sinal de alerta. Esse tipo de manifestação costuma ser mais frequente em mulheres e também em pessoas mais idosas.

Além disso, existe um sintoma que muita gente não leva a sério: o cansaço fora do normal. Não é aquele cansaço típico do fim do dia. É algo estranho, desproporcional. A pessoa sobe poucos degraus e já fica completamente exausta. Caminhar pequenas distâncias vira um esforço enorme. Alguns pacientes relatam esse tipo de fadiga dias antes do infarto.

Também podem surgir náuseas, vômitos ou uma sensação de desconforto no estômago. Dependendo da área do coração afetada, o infarto pode provocar sintomas muito parecidos com problemas digestivos.

Há ainda outros sinais que merecem atenção: suor frio, tontura, sensação de desmaio ou até uma ansiedade muito forte, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer. Algumas pessoas descrevem uma inquietação estranha, difícil até de explicar.

Para a cardiologista, existe um conceito muito importante na medicina do coração: tempo é músculo. Isso significa que quanto mais tempo a artéria do coração permanece entupida, maior é o dano ao músculo cardíaco. Ou seja, cada minuto conta.

Por isso, diante de sintomas suspeitos, a recomendação médica é não esperar. O ideal é procurar atendimento imediatamente ou ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, pelo número 192. Principalmente se a dor no peito durar mais de 15 ou 20 minutos e vier acompanhada de outros sinais.



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