Vídeo mostra quando Lula diz ter proibido assessor de Donald Trump de entrar no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma declaração que acabou chamando bastante atenção nesta sexta-feira (13). Durante um evento público no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo falou sem rodeios sobre uma decisão diplomática que vem causando repercussão: a proibição da entrada no Brasil de Darren Beattie, que atua como assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Segundo Lula, o motivo da medida tem relação direta com uma disputa diplomática envolvendo vistos entre os dois países. Beattie pretendia vir ao Brasil para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente enfrenta problemas judiciais e chegou a ficar preso no complexo conhecido como Papudinha, em Brasília. A visita, porém, acabou barrada.

No discurso, Lula falou de forma bem direta, quase num tom de recado público. Disse que o assessor norte-americano só poderá pisar em território brasileiro quando houver uma mudança de atitude por parte do governo dos Estados Unidos.

“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar. E eu também proibi ele de entrar no Brasil enquanto não liberarem o visto do nosso ministro da Saúde”, afirmou o presidente, diante de autoridades e convidados no evento.

A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais e em sites de política, porque escancara uma tensão diplomática que vinha sendo comentada nos bastidores.

O problema começou depois que autoridades norte-americanas tomaram uma decisão envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em agosto de 2025, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha do ministro, que tem apenas 10 anos de idade. O detalhe curioso — e que causou estranheza em Brasília — é que o visto do próprio Padilha não chegou a ser cancelado oficialmente, apenas porque já estava vencido naquele momento.

Lula mencionou isso durante o evento e demonstrou certo incômodo com a situação. Ele chegou a comentar que Padilha estaria sendo “protegido” pelo governo brasileiro diante dessa decisão considerada injusta.

“Você sabe que bloquearam o visto do Padilha, o da mulher dele e até da filha de 10 anos”, disse o presidente. “Então Padilha, fique tranquilo, porque você está sendo protegido”, completou.

Nos bastidores do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o famoso Itamaraty, diplomatas confirmaram que o visto de Darren Beattie realmente foi revogado. A justificativa oficial é que o Brasil está apenas aplicando o chamado princípio da reciprocidade — algo comum nas relações internacionais. Em outras palavras, se um país impõe restrições a autoridades brasileiras, o Brasil pode responder com medidas semelhantes.

Mesmo assim, a história ganhou um novo capítulo quando entrou em cena o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Inicialmente, havia a possibilidade de que Beattie pudesse visitar Bolsonaro na prisão. Mas Moraes voltou atrás e decidiu vetar o encontro. A decisão saiu na quinta-feira (12) e teve como base informações apresentadas pelo Itamaraty.

De acordo com o entendimento do governo brasileiro, a visita poderia ser interpretada como uma espécie de interferência externa em assuntos internos do país. Em termos diplomáticos, isso é algo considerado extremamente sensível.

Na decisão, Moraes destacou que o encontro solicitado pela defesa de Bolsonaro não fazia parte de nenhuma agenda diplomática oficial e nem havia sido comunicado previamente às autoridades brasileiras responsáveis pela área externa.

Além disso, segundo o ministro, a visita também não se encaixava no contexto que justificou a concessão do visto inicial de Beattie para entrar no Brasil. Esse detalhe pesou na decisão final de impedir tanto o encontro quanto a permanência do assessor no país.

Enquanto isso, o episódio continua gerando debate político. De um lado, aliados do governo dizem que o Brasil apenas reagiu a uma medida considerada injusta contra um ministro brasileiro. Do outro, críticos afirmam que o caso pode aumentar o desgaste diplomático com setores ligados a Donald Trump.

De qualquer forma, o recado de Lula foi claro: enquanto a situação envolvendo o ministro Alexandre Padilha não for resolvida pelos Estados Unidos, Darren Beattie não deve colocar os pés no Brasil tão cedo. E, pelo tom das declarações, parece que essa disputa ainda pode render novos capítulos nas próximas semanas.



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