A fala de um vereador do interior de Santa Catarina acabou gerando uma baita repercussão nos últimos dias — e não foi pouca coisa, não. Durante uma sessão da Câmara Municipal de Major Vieira, realizada na segunda-feira (16), o vereador Osni Novack, do MDB, soltou uma declaração que pegou muita gente de surpresa. Ele sugeriu, basicamente, que animais abandonados deveriam ser mortos na cidade. Sim, foi isso mesmo.
O assunto surgiu enquanto os parlamentares discutiam uma situação que já vinha preocupando moradores: ataques recentes envolvendo cães soltos pelas ruas. Até aí, era um debate esperado, já que a população tem cobrado soluções. Mas o tom mudou quando o vereador resolveu opinar de forma mais direta — e polêmica.
Na fala, ele fez uma comparação que muita gente considerou totalmente desproporcional. Disse que, hoje em dia, “matar um cachorro é pior que matar uma pessoa”, citando inclusive o caso de uma freira que teria sido assassinada. Ele comentou que ninguém teria dado atenção ao crime, enquanto casos envolvendo animais gerariam mais comoção. A fala foi confusa em alguns momentos, meio embolada até, mas o recado ficou claro.
E ele foi além. Defendeu, sem rodeios, que os animais que vivem soltos na cidade deveriam ser mortos. Segundo ele, se não fosse a atuação de pessoas que defendem os bichos, “alguém já teria feito esse serviço”. Foi nesse ponto que o clima pesou de vez. Quem acompanhava a sessão — seja presencialmente ou depois pelas redes — reagiu na hora.
Não demorou muito pra situação ganhar repercussão fora da cidade. Comentários indignados começaram a surgir, principalmente nas redes sociais, onde o tema de proteção animal costuma mobilizar bastante gente. Ainda mais em tempos recentes, com tantos debates sobre direitos dos animais e responsabilidade pública.
Diante da repercussão, a Polícia Civil informou que o caso será investigado. A ideia é entender se houve algum tipo de incitação a crime ou algo que ultrapasse os limites da liberdade de expressão dentro de um cargo público. Não é algo simples, e deve render ainda.
A Prefeitura de Major Vieira também se manifestou. Em nota, deixou claro que não concorda com nenhum tipo de violência ou maus-tratos contra animais. Foi uma resposta direta, tentando se distanciar da fala do vereador. Já a Câmara Municipal adotou um tom mais institucional, dizendo que o caso será analisado com base no Regimento Interno da casa. Ou seja, pode ter desdobramento político também.
Outro ponto que chama atenção é o momento em que tudo isso acontece. Poucos dias antes, no dia 12, o governo federal publicou um decreto que endurece as punições para maus-tratos contra animais. As multas agora variam de R$ 1.500 até R$ 50 mil, podendo chegar a R$ 1 milhão em casos mais graves. Isso mostra como o tema está em evidência no país.
Até agora, o vereador não voltou a público pra comentar a repercussão. Ficou em silêncio, pelo menos até o momento. O que, claro, só aumenta ainda mais a curiosidade — e a pressão — em cima do caso.
No fim das contas, a situação escancara um problema maior: o abandono de animais e a falta de políticas públicas eficazes pra lidar com isso. Só que, ao mesmo tempo, levanta um debate importante sobre limites no discurso de autoridades. Porque uma coisa é discutir segurança e saúde pública, outra bem diferente é sugerir medidas extremas.
E aí, fica aquela sensação meio estranha… de que a discussão começou por um problema real, mas acabou tomando um rumo que ninguém esperava — ou queria.