Mais de 100 deputados federais, entre nomes do Centrão e também da oposição, se uniram em um movimento que chamou atenção em Brasília nos últimos dias. Eles assinaram um pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) passe a cumprir prisão domiciliar. O motivo, segundo os parlamentares, seria humanitário, já que o quadro de saúde do ex-mandatário teria piorado de forma considerável.
A iniciativa é puxada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO) e foi oficialmente entregue na quarta-feira, dia 18. Não ficaram só nos aliados diretos, não. O documento também reúne assinaturas de políticos de partidos como PSD, PP, MDB, União Brasil e Republicanos. Ou seja, é um grupo bem amplo, o que mostra que o tema acabou atravessando até algumas diferenças políticas, coisa meio rara hoje em dia, diga-se de passagem.
No texto enviado ao STF, os deputados fazem questão de relembrar todo o histórico de saúde de Bolsonaro desde o atentado que sofreu em 2018, durante a campanha eleitoral. Aquela facada, que virou um marco na trajetória dele, trouxe complicações que, segundo eles, ainda hoje refletem no estado físico do ex-presidente. De lá pra cá, foram várias internações, cirurgias e episódios delicados.
Atualmente, Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde a última sexta-feira (13). Ele trata um quadro de broncopneumonia bilateral, que, em termos mais simples, é uma infecção que afeta os dois pulmões e pode ser bem séria, principalmente em pessoas com histórico médico complicado. E isso, claro, aumentou o sinal de alerta.
O documento enviado ao Supremo tem um tom forte, até um pouco dramático em alguns trechos. Os parlamentares afirmam que algumas das doenças enfrentadas por Bolsonaro têm risco de piora súbita, podendo levar a situações graves de forma rápida. Em um cenário mais extremo, eles mencionam até o risco de morte, o que, segundo o grupo, poderia causar uma reação intensa na sociedade.
E aqui entra um ponto que muita gente em Brasília comenta nos bastidores, mas nem sempre aparece de forma tão direta: a tensão política no país. O texto fala, com todas as letras, que uma eventual morte do ex-presidente poderia provocar uma espécie de comoção nacional e até uma “convulsão social”, principalmente por conta da polarização que ainda divide o Brasil.
Esse pedido dos deputados, vale dizer, não surgiu do nada. Ele reforça uma solicitação já feita pela defesa de Bolsonaro no dia anterior, terça-feira (17). Os advogados também argumentam que a situação de saúde dele se agravou e que a prisão domiciliar seria uma medida mais adequada neste momento.
Dentro do próprio STF e entre integrantes do governo, há quem veja a possibilidade com bons olhos, o que é curioso. Pelo menos quatro ministros da Corte, além de alguns nomes ligados ao governo, avaliam que autorizar a prisão domiciliar poderia ajudar a esfriar o clima de tensão institucional que vem se arrastando.
A preocupação não é só jurídica, mas também política. Existe um receio de que uma piora brusca no estado de saúde de Bolsonaro, ou algo mais grave, acabe gerando efeitos em cadeia. Entre eles, o fortalecimento político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, como possível candidato ao Palácio do Planalto.
No fim das contas, o que está em jogo vai além da saúde de um único personagem. Mistura direito, política, estratégia e, claro, emoção. Brasília vive mais um capítulo daqueles que parecem roteiro de série — e ninguém arrisca dizer com certeza como essa história termina.