A notícia pegou muita gente de surpresa — e, pra ser sincero, caiu meio como um baque mesmo. A produtora de reportagem Fernanda Santos morreu na noite de quarta-feira (18/3), aos 53 anos, depois de um acidente de trânsito em São Paulo. Ela trabalhava há mais de 20 anos nos bastidores da TV Globo, sempre naquele corre que pouca gente vê, mas que faz tudo acontecer no ar.
Segundo informações, o acidente aconteceu quando ela voltava pra casa, depois de uma sessão de fisioterapia. Coisa de rotina, sabe? Daquelas que ninguém imagina que pode terminar assim. Fernanda ainda foi socorrida e levada pro hospital, mas infelizmente não resistiu. E aí vem aquela sensação ruim… de como tudo pode mudar de uma hora pra outra.
A confirmação da morte foi feita ao vivo, na manhã de quinta-feira (19/3), durante o Bom Dia São Paulo. Quem assistiu percebeu na hora que tinha algo diferente no clima. Os apresentadores Sabina Simonato, Marcelo Pereira e Guilherme Pimentel estavam visivelmente abalados, com a voz embargada mesmo, e interromperam o tom normal do jornal pra dar a notícia. Não foi fácil de ver, imagina pra eles.
Fernanda nasceu na Brasilândia, na zona norte da capital paulista, e construiu uma trajetória bem sólida no jornalismo. Se formou pela Unesp de Bauru lá em 1998, e anos depois, em 2005, entrou na Globo. Daí em diante, foi construindo sua carreira com calma, sem muito alarde, mas com muita consistência. Era aquele tipo de profissional que todo mundo respeita, sabe? Não precisa aparecer, mas quando não tá, faz falta.
Apesar de trabalhar majoritariamente na produção, ela também teve momentos na reportagem, principalmente durante coberturas de Carnaval. E olha… dava pra ver que aquilo ali não era só trabalho pra ela, era paixão mesmo. Presença constante no Anhembi, conhecia as escolas de samba como pouca gente na redação. Tinha brilho no olho quando falava do assunto, dizem colegas.
Inclusive, ela era torcedora declarada da Mocidade Alegre, uma das mais tradicionais do Carnaval paulistano. Dentro da emissora, virou referência quando o assunto era samba. Não era raro alguém recorrer a ela pra tirar dúvida ou entender melhor alguma história de escola.
Depois da morte, vieram várias homenagens. Colegas de trabalho, amigos e também entidades ligadas ao Carnaval, como a Liga das Escolas de Samba, se manifestaram. A própria Mocidade Alegre publicou uma nota que emocionou bastante. Em um trecho, destacaram as madrugadas que Fernanda passava entre quadras e barracões, indo e voltando pelo Anhembi, sempre dedicada a mostrar a cultura do samba pro Brasil inteiro — e até pra fora.
E não para por aí. Fora da televisão, Fernanda também tinha uma vida acadêmica ativa. Era formada em Pedagogia, além de mestre e doutora em Comunicação pela Universidade de São Paulo. Participava de debates importantes, principalmente ligados a questões sociais e raciais. Integrava o coletivo Ocareté, que discute temas como decolonização e minorias — assunto que, aliás, tem ganhado cada vez mais espaço nos últimos anos, inclusive nas universidades e na mídia.
Ela também colaborou na organização do livro “Ensaios sobre Racismos”, lançado em 2020, numa época em que o debate racial ganhou ainda mais força, principalmente depois de acontecimentos globais que colocaram o tema no centro das discussões.

No fim das contas, fica aquela sensação estranha. De perda, claro, mas também de reconhecimento. Fernanda não era só uma profissional dedicada — era alguém que viveu intensamente o que fazia. E talvez isso explique o tamanho da comoção. Porque quando alguém assim parte, não é só mais uma notícia… é uma ausência que pesa.