O caso envolvendo o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ganhou mais um capítulo tenso na tarde da última quinta-feira (19). O oficial, que estava preso desde o dia anterior, precisou ser levado às pressas para um hospital da Polícia Militar, em São Paulo, depois de apresentar crises de ansiedade e outros sinais de abalo psicológico. Segundo informações, ele ficou bastante alterado dentro da unidade prisional, o que acabou levando à decisão de transferência para atendimento médico especializado.
De acordo com relatos iniciais, o estado emocional dele já vinha se deteriorando desde a audiência de custódia, realizada na quarta-feira (18). Na ocasião, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva, o que, segundo a defesa, agravou ainda mais o quadro psicológico do militar. Ele teria demonstrado nervosismo, fala desconexa em alguns momentos e até dificuldade pra se manter calmo. Não dá pra saber exatamente até onde isso é estratégia ou de fato um colapso emocional… mas o fato é que a situação ficou séria.
O tenente-coronel foi preso sob acusação de envolvimento na morte da própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O caso, que já vinha sendo investigado há semanas, teve uma reviravolta depois de novos laudos periciais. No começo, a morte chegou a ser tratada como suicídio, versão que o próprio oficial ainda sustenta até hoje. Só que, com o avanço das investigações, começaram a surgir inconsistencias difíceis de ignorar.
Gisele foi encontrada no dia 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central da capital paulista. Ela estava gravemente ferida, com um tiro na cabeça. Equipes de resgate foram acionadas e fizeram o possível, mas infelizmente ela não resistiu e morreu pouco depois no hospital. A cena já levantava dúvidas, mas naquele momento ainda não havia uma conclusão clara.
Com o passar dos dias, peritos passaram a analisar melhor o ambiente, a posição do corpo, a trajetória da bala… e aí começaram os problemas. Alguns elementos simplesmente não batiam com a hipótese de suicídio. A forma como o disparo ocorreu, por exemplo, foi considerada incompatível com um tiro autoinfligido. Além disso, manchas de sangue encontradas em diferentes cômodos do imóvel levantaram ainda mais suspeitas sobre o que realmente aconteceu ali.
Diante dessas contradições, foi solicitada até a exumação do corpo de Gisele para exames mais detalhados. E os novos resultados acabaram reforçando a tese de que pode ter ocorrido um crime, e não um ato voluntário. Com isso, o Ministério Público decidiu rever o enquadramento do caso, o que complicou bastante a situação do oficial.
A Polícia Civil então indiciou o tenente-coronel por feminicídio e também por falsidade ideológica, no contexto de uma possível tentativa de manipular a cena do crime. A prisão preventiva foi pedida pela corregedoria da própria Polícia Militar, com apoio do Ministério Público, sob a justificativa de que ele poderia atrapalhar as investigações ou até interferir em testemunhas.
Esse tipo de caso sempre gera uma comoção grande, ainda mais por envolver alguém de dentro da corporação. Nos últimos tempos, inclusive, o Brasil tem acompanhado diversos episódios de violência doméstica que acabam em tragédia, o que só aumenta a pressão por respostas rápidas e justas.
Agora, com o tenente-coronel hospitalizado, fica a dúvida sobre os próximos passos. Ele deve permanecer sob custódia mesmo durante o atendimento médico, mas ainda não há detalhes claros sobre quanto tempo ficará internado. Enquanto isso, as investigações seguem em andamento, com expectativa de novos laudos nas próximas semanas.
A verdade é que ainda existem muitas pontas soltas nessa história. E, como em tantos outros casos parecidos, só o tempo — e o trabalho minucioso da perícia — vai dizer o que realmente aconteceu naquela noite dentro do apartamento.