O caso da morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, segue gerando comoção e também muitas perguntas. Aos poucos, detalhes vão aparecendo — alguns, inclusive, bem difíceis de engolir. O próprio pai da vítima, Carlos Roberto Teixeira, resolveu falar e trouxe relatos pesados sobre o relacionamento da filha com o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza.
Segundo ele, não era de hoje que a relação dos dois era conturbada. Muito pelo contrário. Tinha histórico, e não era pouco. “Já tirei ele de cima dela”, contou, lembrando de uma situação antiga. Em outro momento, disse que chegou a flagrar o homem tentando enforcar a própria filha. É aquele tipo de coisa que, quando a gente ouve depois, dá um aperto maior ainda, porque parece que o pior já tava sendo anunciado há tempos.
O crime aconteceu na madrugada desta segunda-feira, dia 23, por volta de 1h. De acordo com informações apuradas pela repórter Ana Elisa Bassi, do g1 Espírito Santo, tudo ocorreu dentro da casa da própria Dayse, no bairro Mário Cypreste, em Vitória. Um lugar que deveria ser seguro, né… mas virou cenário de tragédia.
E o que mais choca é a forma como tudo aconteceu. O policial teria usado uma escada pra invadir o imóvel. Sim, ele entrou praticamente de forma planejada. Já dentro da casa, foi direto até o quarto onde Dayse estava dormindo — justamente no quarto da filha dela. Ali, ele disparou cinco vezes contra a cabeça da vítima. Não teve chance de defesa, não teve discussão, nada. Foi execução mesmo, fria.
Depois disso, segundo as informações, ele foi até a cozinha e tirou a própria vida. Um desfecho que, infelizmente, a gente já viu em outros casos recentes pelo Brasil. Parece que virou um padrão assustador.
O pai da comandante também relatou como viveu aqueles momentos. Disse que acordou logo no primeiro disparo. Imagina o susto. “Não deu tempo de nada”, contou. Ele explicou que abriu a porta devagar, tentando entender o que tava acontecendo, e viu o homem correndo dentro da casa. Mesmo assim, não conseguiu reagir. Ficou com medo — e com razão. “Não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também”, disse.
É uma situação que mistura dor, revolta e aquele sentimento de impotência. Porque, pelo que o próprio pai relata, havia sinais claros de que o relacionamento era violento. E isso levanta uma discussão importante, ainda mais nos dias de hoje, onde tantos casos de feminicídio continuam aparecendo nas manchetes.
Aliás, não é de agora que o Brasil enfrenta esse tipo de problema. Casos assim acabam entrando na estatística, mas cada número tem uma história por trás — como a de Dayse, que além de profissional, era filha, mãe, amiga.
A investigação agora segue para esclarecer todos os detalhes, embora muita coisa já esteja praticamente evidente. Ainda assim, fica aquela sensação amarga de que poderia ter sido evitado. Talvez com mais denúncias, talvez com medidas mais firmes… difícil dizer.
No fim das contas, o que sobra é o luto de uma família e mais um episódio que reforça um alerta que insiste em ser ignorado: violência dentro de relacionamento não pode ser tratada como algo “normal” ou passageiro. Porque, muitas vezes, o final é esse — trágico e irreversível.