A televisão brasileira perdeu nesta semana um daqueles nomes que, mesmo sem estar todo dia nas manchetes, marcou gerações inteiras. O ator, humorista e dublador Roberto Marquis morreu nesta segunda-feira (23), aos 83 anos. Um detalhe que deixou muita gente ainda mais sensibilizada: ele faleceu exatamente uma semana antes de completar mais um ano de vida.
Nascido em São Paulo, Marquis começou sua trajetória artística lá atrás, em 1962, quando deu os primeiros passos na extinta TV Tupi. Na época, ele participou do seriado “Dom Camilo e os Cabeludos”, uma produção que muita gente hoje nem lembra direito, mas que foi importante naquele começo de carreira.
Já nos anos 70, ele acabou entrando para um projeto curioso: uma série de comerciais chamada Boko Moko. Foi ali que surgiu o personagem Teobaldo, que acabou grudando nele de um jeito que poucos artistas conseguem explicar. O nome virou praticamente um apelido artístico, algo que o público passou a associar diretamente com ele. E não parou por aí: Marquis também se destacou como dublador, emprestando a voz para ninguém menos que Curly Howard, um dos integrantes de Os Três Patetas. Quem cresceu assistindo sabe o peso disso.
Mas foi mesmo na televisão aberta, anos depois, que ele atingiu o auge da popularidade. No clássico humorístico A Praça é Nossa, exibido pelo SBT, Marquis deu vida ao irreverente Guarda Juju. Um personagem simples, mas que conquistava pelo jeito espontâneo e pelo timing de humor — coisa que hoje em dia, diga-se, anda meio rara na TV.
Curioso é que ele nem entrou no programa com essa pretensão toda. Inicialmente, Roberto tinha sido chamado só para uma ação publicitária no fim dos anos 80. Só que o desempenho dele chamou atenção rapidamente, e o próprio Silvio Santos resolveu apostar no talento do artista, convidando-o para o elenco fixo.
Coincidência ou não, Marquis chegou ao programa no mesmo período em que Carlos Alberto de Nóbrega assumia o comando da atração, herdando o posto do pai, Manuel de Nóbrega, criador do humorístico. Foi uma fase de transição, mas também de consolidação — e Roberto fez parte disso por nada menos que 25 anos.
Durante esse tempo, ele não ficou preso a um único papel. Além do Guarda Juju, também interpretou personagens como Tanaka, mostrando uma versatilidade que muitas vezes passa despercebida pelo grande público. Quem acompanhava de perto sabe que ele tinha um estilo próprio, meio improvisado às vezes, mas que funcionava.
A morte aconteceu na própria capital paulista, e o velório está sendo realizado na Beneficência Portuguesa. A notícia pegou colegas e fãs de surpresa, mesmo considerando a idade avançada do artista. Nas redes sociais, inclusive, muita gente começou a relembrar cenas antigas — aquele tipo de vídeo que aparece do nada e bate uma nostalgia forte.
Em nota oficial, o Sistema Brasileiro de Televisão lamentou profundamente a perda. A emissora destacou não só os personagens marcantes, como Teobaldo e o Guarda Juju, mas também o lado humano de Marquis nos bastidores. Segundo o comunicado, ele era conhecido por ser gentil, prestativo e sempre disposto a arrancar uma risada, mesmo fora das câmeras.
E talvez seja isso que mais pesa agora. Num momento em que tanta coisa acontece ao mesmo tempo — política, crise, internet pegando fogo por qualquer assunto — a partida de alguém como Roberto Marquis faz a gente dar uma freada, nem que seja rápida, pra lembrar de um tempo mais leve da televisão.
Ele se vai, mas deixa aquele tipo de legado difícil de medir. Não é só sobre personagens, nem sobre tempo de carreira. É sobre memória afetiva mesmo. E nisso, pode ter certeza, ele marcou muita gente.