A movimentação da pré-campanha de Renan Santos, do Missão, à Presidência começou a dar dor de cabeça — e não foi pouca — no QG de Flávio Bolsonaro, do PL. Nos bastidores, o clima já não é tão tranquilo quanto parecia semanas atrás. Isso porque Renan, meio que correndo por fora, vem crescendo principalmente onde hoje se decide muita eleição: nas redes sociais.
E olha… não dá pra negar que ele sabe usar esse espaço. Com vídeos curtos, cortes polêmicos e falas diretas (às vezes até exageradas), Renan tem conseguido alcançar um público parecido com o dos Bolsonaro. A briga ali é clara: disputar o eleitorado de direita mais raiz, aquele que não curte muito discurso moderado, mais “polido”.
Foi justamente nesse tom mais ácido que surgiu um dos episódios que mais irritaram aliados de Flávio até agora. Renan pegou pesado ao comentar um momento em que o senador apareceu dançando em um evento político — uma dancinha meio travada, estilo “bonecão de posto”, que acabou viralizando. No post, Renan disparou uma crítica dura, chamando o adversário de forma bem ofensiva. Resultado: quase um milhão de visualizações só na rede X.
A coisa saiu do controle. Rapidamente, o vídeo virou meme, circulou em vários perfis e grupos, e começou a pegar mal. Gente próxima de Flávio já começou a aconselhar: melhor parar com isso de dança em público, porque tá virando munição pro outro lado. E convenhamos, política hoje em dia virou um campo onde imagem pesa quase tanto quanto proposta — às vezes até mais.
Curioso é que, segundo relatos de bastidores, essa história do “Flávio dançarino” surgiu de forma espontânea. Ele teria se soltado em um evento, algo mais natural, sem planejamento. No começo, até foi visto como positivo pela equipe, tipo “olha, ele tá mais leve, mais próximo do povo”. Só que… o efeito acabou sendo o oposto do esperado.
Enquanto isso, a equipe de Flávio já pensa em estratégias pra conter o avanço de Renan. Uma das ideias é manter outras candidaturas de direita no jogo, como a de Romeu Zema, do Novo, e também a de Aldo Rebelo, pelo DC. A lógica é simples: dividir esse eleitorado e evitar que Renan cresça sozinho nesse espaço.
Além disso, o contra-ataque já começou a ser desenhado. A ideia é bater na tecla de que Renan e seu grupo têm um histórico de abordagens agressivas nas ruas, algo que ficou famoso com Arthur do Val, o Mamãe Falei. Ou seja, tentar virar o jogo mostrando que o adversário também tem pontos fracos — e vários.
Renan, por sua vez, não parece muito preocupado, não. Em declarações recentes, ele deixou claro que a estratégia é mirar primeiro nos eleitores mais jovens e mais informados — justamente uma fatia que hoje flerta com Flávio. Depois, segundo ele, o crescimento viria naturalmente.
E tem mais: ao contrário do que muita gente poderia imaginar, Renan não tem focado seus ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso não é por acaso. A própria direita já entendeu que tirar votos da esquerda é missão quase impossível nesse cenário atual. Então a disputa virou interna mesmo.
Renan mira diretamente em Flávio, tentando convencer o eleitor de que o senador não representa mais os valores que diz defender. Em uma postagem recente, ele acusou Flávio de ter traído princípios da direita ao apoiar pautas que, segundo ele, não agradam esse público.
Mesmo sendo novato, Renan já começa a aparecer nas pesquisas. Em levantamentos como os da AtlasIntel, ele surge em terceiro lugar em alguns cenários, atrás apenas de Lula e Flávio — isso quando nomes como Tarcísio de Freitas não entram na disputa.
E o dado que chama atenção: ele já aparece à frente de nomes mais experientes, como os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Ainda é cedo, claro… mas o sinal de alerta já acendeu. E forte.