Professora Isabela Faria falece aos 33 anos após batalha intensa

A manhã desta quinta-feira (9/4) começou mais pesada pra familiares, amigos e colegas de profissão. Morreu, aos 33 anos, a terapeuta ocupacional e professora Isabela Brito Alves de Faria, conhecida por muitos apenas como “Bel”. Ela estava internada no Hospital Brasília, em Águas Claras, enquanto enfrentava mais uma etapa de um câncer de mama que já vinha lutando há algum tempo.

A história dela não foi curta em intensidade, apesar da idade. Segundo a prima — e também irmã de criação — Juliana Faria, Bel era aquele tipo de pessoa que todo mundo descreve como “difícil de esquecer”. Muito organizada, metódica até demais às vezes, virginiana raiz, como a própria família brincava. “Ela cuidava de tudo, queria tudo no lugar certo, do jeito certo”, contou Juliana, ainda bastante emocionada.

As duas cresceram praticamente juntas, dividindo fases, viagens, histórias… dessas que não cabem nem em álbum de foto. E talvez por isso a perda tenha sido ainda mais sentida. Juliana lembrou que Isabela enfrentou a doença não uma, mas três vezes. “Na última, infelizmente, ela não conseguiu vencer”, disse. A frase é simples, mas carrega um peso que nem precisa de muita explicação.

Isabela deixa um filho pequeno, de apenas 4 anos. E olha… não é fácil nem escrever isso. Segundo a família, o menino já foi informado, dentro do possível, de que a mãe “virou uma estrelinha”. Uma forma delicada, mas ainda assim dolorida, de explicar o inexplicável pra uma criança.

Nas redes sociais, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 11ª Região publicou uma nota lamentando profundamente a morte da profissional. Eles destacaram a força da Isabela durante todo o tratamento, algo que, segundo colegas, era visível até nos dias mais difíceis. “Exemplo de resiliência”, escreveram.

E não ficou só nisso. Nos comentários, ex-alunos, colegas de trabalho e amigos começaram a compartilhar lembranças. Teve gente chamando ela de “profissional incrível”, outros destacando o quanto ela era dedicada. Uma pessoa escreveu algo que resume bem: “da faculdade à docência, foi uma trajetória rápida, mas cheia de conquistas”. E foi mesmo.

Isabela construiu uma carreira sólida em pouco tempo. Se formou em Terapia Ocupacional pela Universidade de Brasília, lá em 2014. No ano seguinte, já estava se especializando na Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, com foco em neurologia — uma área complexa, que exige muito preparo e, principalmente, sensibilidade.

Em 2019, deu mais um passo importante e se tornou mestra em Ciências e Tecnologias em Saúde, novamente pela UnB. Paralelamente, também atuou como professora em instituições como o IESB, onde deixou sua marca entre alunos e colegas.

Aliás, o próprio IESB também publicou uma nota de pesar. No texto, destacaram o comprometimento da docente com o ensino e a formação dos estudantes. Algo que, segundo relatos, ela levava muito a sério. Não era só dar aula… era formar gente, orientar caminhos, puxar o melhor de cada aluno. Coisa que nem todo mundo consegue fazer.

O velório e o sepultamento estão marcados para esta sexta-feira (10/4), a partir das 8h, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. A expectativa é de que familiares, amigos e colegas compareçam pra dar o último adeus.

No fim das contas, fica aquela sensação estranha. De interrupção. De algo que poderia ter continuado… mas não continuou. Ao mesmo tempo, fica também o legado. Na profissão, nos alunos, na família — e principalmente nas lembranças que, querendo ou não, são o que a gente leva pra frente.



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