PT muda estratégia para 2026 após avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas

O clima dentro do PT mudou — e não foi pouco. Nos bastidores, o partido resolveu dar uma guinada na forma como pretende encarar a eleição presidencial de 2026. O motivo? O crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, claro, uma certa sensação interna de que a comunicação do governo não funcionou tão bem quanto se esperava desde o começo do terceiro mandato de Lula.

Uma reportagem publicada no dia 12 de abril de 2026 pelo site Poder360, assinada pela jornalista Lara Brito, trouxe esse cenário à tona. E, pelo que se comenta, a decisão agora é bater mais forte na comparação entre o atual governo e o período do ex-presidente Jair Bolsonaro — algo que, segundo integrantes do próprio partido, não foi explorado direito lá atrás.

Tudo isso ganhou ainda mais peso depois da divulgação de uma pesquisa do Datafolha, no sábado (11). Pela primeira vez, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula num cenário de segundo turno: 46% contra 45%. É pouca coisa? Sim. Mas politicamente falando, fez soar um alerta daqueles bem barulhentos dentro do PT.

Internamente, o diagnóstico é até meio direto: o governo não conseguiu explicar pra população, de forma clara, como pegou o país em 2023. Essa leitura tem sido repetida por nomes da comunicação do partido. O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, chegou a dizer que a legenda “pecou” por não mostrar o “tamanho do estrago” herdado da gestão anterior.

E aí entra um ponto interessante — ou delicado, depende de quem vê. Parte do desgaste atual do governo, na visão de petistas, não vem exatamente da falta de resultados, mas sim da dificuldade de contar essa história. Ou seja, a disputa não é só sobre o que foi feito, mas sobre como isso é percebido. Narrativa, como gostam de dizer hoje em dia.

Pensando nisso, o partido decidiu trabalhar em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, reforçar as entregas do governo Lula — programas sociais, políticas públicas, essas coisas que impactam diretamente o dia a dia. Do outro, partir pro confronto mais direto, comparando modelos de governo: o atual versus o legado bolsonarista.

Essa estratégia já deve começar a aparecer nas inserções de rádio e TV a partir do dia 23 de abril. A ideia é dividir a comunicação em alguns eixos principais. Um deles será justamente a comparação entre áreas como saúde, educação e economia, olhando para dois períodos: 2019 a 2022 e 2023 a 2026.

Outro ponto forte vai ser o discurso de “reconstrução nacional”. Aquele papo de retomar programas sociais, reorganizar políticas públicas e por aí vai. Já no campo econômico, o tom deve ficar mais político mesmo, com contraposições tipo “soberania versus entreguismo” ou “distribuição de renda contra concentração”. É uma tentativa clara de enquadrar o debate.

Mas não para por aí. O PT também quer trazer novas bandeiras pra campanha. Entre elas, o fim da escala 6×1 (aquela rotina puxada de trabalho), combate ao feminicídio e até a proposta de tarifa zero no transporte público. São temas que, segundo avaliação interna, podem aproximar mais o partido de setores urbanos e populares — principalmente num momento em que o custo de vida continua sendo motivo de queixa em muita conversa de bar.

No caso da escala 6×1, por exemplo, a ideia é destacar como isso pesa ainda mais pras mulheres, que muitas vezes acumulam trabalho formal com responsabilidades dentro de casa. É um discurso que tenta dialogar com a realidade, embora nem sempre seja simples traduzir isso em política pública concreta.

Outro ponto que ganhou mais atenção foi a segurança pública. Historicamente um tema mais explorado pela direita, agora passa a ocupar espaço maior na estratégia petista. A proposta gira em torno de um sistema nacional integrado, tentando mostrar que o partido também tem algo a dizer nessa área.

E claro, não dá pra ignorar o digital. O PT quer ampliar sua presença nas redes sociais, mobilizar mais a militância e reagir com mais rapidez ao que acontece online. Porque, hoje em dia, muita coisa se decide ali — seja pra informar ou desinformar, diga-se de passagem.

No fim das contas, o que se vê é um partido tentando se reorganizar no meio do jogo. Com ajustes, autocrítica e uma certa pressa também. Se vai funcionar? Bom… isso só 2026 vai responder.



Recomendamos