PDT aciona STF para anular eleição de Douglas Ruas como presidente da Alerj

Confusão na Alerj: PDT pede anulação da eleição de Douglas Ruas

No último dia 17 de novembro, ocorreu uma eleição que trouxe à tona uma série de questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O candidato Douglas Ruas, do Partido Liberal (PL), foi eleito presidente da Alerj, mas a situação não permaneceu pacífica por muito tempo. O Partido Democrático Trabalhista (PDT) decidiu agir e protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular essa eleição, dando início a um novo capítulo dessa história política conturbada.

Ação do PDT no STF

A ação foi protocolada por Carlos Luppi, o presidente nacional do PDT, na segunda-feira, 20 de novembro. Os deputados estaduais Martha Rocha e Vitor Júnior, que representam o partido na Alerj, estão apoiando a iniciativa, que busca a convocação de um novo pleito. A proposta é que a nova votação seja realizada com voto secreto, conforme prevê o modelo constitucional federal e a jurisprudência do STF. O PDT argumenta que a eleição de Ruas foi conduzida segundo regras cuja validade jurídica é “fortemente questionável”.

Justificativas do PDT

O partido, em comunicado oficial, fez questão de destacar que a escolha de Douglas Ruas para a presidência da Alerj representa uma “afronta a preceitos fundamentais da Constituição da República”. Antes mesmo da eleição, o PDT já havia tentado suspender o processo eleitoral com voto aberto, mas teve seu pedido negado pela Justiça do Rio. Agora, o partido busca declarar a prática do “voto nominal aberto” como inconstitucional, alegando que isso viola princípios fundamentais da Constituição Federal e contribui para a “fragilização institucional”.

O contexto da eleição

A eleição que resultou na escolha de Ruas foi marcada por uma série de boicotes da oposição. Muitos parlamentares não estavam de acordo com o formato aberto da votação, o que gerou uma situação tensa. No total, 45 deputados estavam presentes, enquanto 25 se ausentaram. Para ser eleito, Douglas Ruas precisava de 35 votos, mas surpreendentemente, obteve 44, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a legitimidade do processo.

Histórico de tentativas de anulação

Essa não é a primeira vez que o PDT tenta anular a eleição de Douglas Ruas. A primeira tentativa foi um mandado de segurança que acabou sendo aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Naquela ocasião, o partido argumentou que, com a saída do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), seria necessário refazer o cálculo do quociente eleitoral. Essa mudança poderia alterar a composição do parlamento e abrir espaço para novos candidatos à presidência da Casa.

Pressões e retaliações

Desde então, a discussão sobre a necessidade de uma votação secreta ganhou força entre os parlamentares da oposição. Eles defendem que esse modelo é essencial para proteger os deputados de pressões externas e possíveis retaliações. A situação política no Rio de Janeiro tem sido bastante conturbada, especialmente após a prisão de Bacellar e do ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, que foram indiciados pela Polícia Federal por tráfico de influência e suas ligações com o Comando Vermelho. Ambos estão atualmente presos e tiveram seus mandatos cassados.

O que esperar a seguir?

O desfecho dessa história ainda é incerto. A ação do PDT no STF pode trazer novas reviravoltas e abrir espaço para um debate mais profundo sobre a validade das eleições na Alerj e a necessidade de proteger a autonomia parlamentar. Enquanto isso, o clima no parlamento continua tenso, e os desdobramentos dessa situação podem impactar diretamente a política do estado do Rio de Janeiro nos próximos meses.



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